Unitins coordena pesquisa sobre vírus HTLV no Tocantins e convida população para coleta voluntária em Palmas

Vírus Linfotrópico da Célula Humana atinge o sistema de defesas do organismo humano e é da mesma família do HIV; coleta em Palmas ocorre desta segunda, 8, a quarta-feira, 10
por Unitins/Governo do Tocantins
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Coleta em Palmas ocorre de 8 a 10 de novembro - Foto: VIvi Asevedo/Governo do Tocantins file_download

A Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) coordena no Estado os trabalhos de coletas das amostras de sangue da pesquisa Implementação do Diagnóstico Laboratorial do HTLV no Brasil: um Programa em Rede, de Apoio aos Laboratórios de Extensão em seis capitais, financiada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS). As coletas, que contam com a participação de outras sete instituições do país, ocorrem desta segunda, 8, a quarta-feira, 10, em Palmas.

O Vírus Linfotrópico da Célula Humana (HTLV) atinge o sistema de defesas do organismo humano e é da mesma família do HIV, causador da Aids. Estima-se que 5% dos infectados com HTLV possam desenvolver algum dos problemas de saúde associados ao vírus, como doenças neurológicas degenerativas, leucemia e outros problemas de saúde relacionados a essas enfermidades. O HTLV pode permanecer sem sinais ou sintomas por muito tempo e o portador muitas vezes não sabe que está infectado. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. A transmissão, semelhante ao HIV, também ocorre por via sexual.

“As coletas serão feitas em Palmas neste ano de 2021 e as amostras de sangue serão enviadas para o laboratório de virologia da Universidade Federal do Pará. Após a análise, os dados serão integralizados com os resultados das outras instituições colaboradoras”, explica a professora Lilian Natalia Ferreira de Lima, do curso de Enfermagem/Câmpus Augustinópolis da Unitins, que coordena o projeto no Tocantins.

Podem participar pessoas dos sexos masculino e feminino, sendo crianças entre 9 e 11 anos; adolescentes entre 12 e 18 anos; jovens de 19 a 29 anos; adultos de 30 a 59 anos e idosos a partir de 60 anos. A participação é voluntária e abrange tanto a comunidade acadêmica quanto a comunidade externa. Serão coletadas amostras de sangue em pequena quantidade. O procedimento é rápido e simples, segundo a coordenação de pesquisa. 

As coletas vão ocorrer nesta segunda, 8, e na terça-feira, 9, das 10 às 16 horas, no auditório da Reitoria da Unitins (Quadra 108 Sul), em Palmas. Nesta terça, também haverá coleta, das 8 às 10 horas, no Complexo de Ciências Agrárias (CCA), em Palmas (próximo à Agrotins). Nesta quarta-feira, 10, das 8 às 12 horas, no Câmpus da Unitins em Palmas (ao lado da UFT).

O projeto também conta com a colaboração de acadêmicos dos cursos de Enfermagem e  Medicina da Unitins/Câmpus Augustinópolis. O estudo será realizado em seis capitais brasileiras: Palmas, Recife, João Pessoa, Salvador, Teresina e Manaus, em uma pesquisa que terá duração de oito meses.

O principal objetivo da pesquisa é fazer a implementação de uma rede de diagnóstico laboratorial de HTLV no Brasil, de modo a fornecer dados para o Ministério da Saúde que possam servir de base ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas para o combate à disseminação e infecção do vírus no país.

A pesquisa foi viabilizada por uma parceria entre a Fundação Baiana de Infectologia e a Opas/OMS. Além da Unitins, participam do projeto a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), a Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz/PE) e a Associação dos Portadores do HTLV (Vitamore).

Norte e Nordeste

No Brasil, “o estado do Pará é considerado endêmico para o HTLV, já tendo sido detectado em várias comunidades indígenas e na região metropolitana de Belém”, conforme consta no projeto enviado à Opas/OMS. O Maranhão, vizinho do Tocantins, também é apontado no documento como “o segundo estado brasileiro em números de casos de infecções pelo HTLV-1”.

A pesquisa, neste caso, se propõe a ampliar a rede de diagnósticos do Brasil para identificar os cenários epidemiológicos em outras regiões. O público-alvo para as coletas é composto por crianças a partir de 9 anos de idade até idosos com 60 anos ou mais.

Transmissão do HTLV

Ainda de acordo com o projeto de extensão enviado para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), “estudos em regiões de elevada ocorrência de infecção mostram que os modos de transmissão do HTLV-1 e do HTLV-2 são semelhantes. O vírus está presente no sangue, no sêmen, no fluido vaginal e no leite materno. As suas principais formas de transmissão incluem transfusão de sangue, compartilhamento de seringas e de agulhas contaminadas, contato sexual, transmissão mãe/filho, durante a gravidez, parte e aleitamento materno”.

“A realização da pesquisa trará benefícios, sobretudo, para os participantes do estudo, que poderão ter acesso a um diagnóstico preciso, bem como ao tratamento adequado, uma vez que os dados poderão ser utilizados pelo Estado do Tocantins para traçar políticas públicas que atendam ao cenário epidemiológico local”, complementa a coordenadora da pesquisa no Tocantins, Lilian Nathália.

Edição: Caroline Spricigo

Revisão Textual: Marynne Juliate

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