Queimadas podem prejudicar o meio ambiente e a saúde humana

por Fábio Souza
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queimada1.jpg - Foto: Divulgação file_download

Ainda é comum a ocorrência de queimadas e incêndios florestais no Tocantins nesta época do ano, sobretudo por fatores climáticos (ventos e calor) e pelo uso indiscriminado do fogo. Fazer uma queimada sem controle pode causar sérios prejuízos à fauna e à flora, reduzindo a cobertura vegetal, diminuindo a fertilidade do solo e comprometendo a qualidade do ar e, consequentemente, a saúde humana, provocando vários tipos de doenças, principalmente respiratórias.

Segundo o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Antônio Santiago, a prática de se fazer queimada é uma questão cultural, que acontece há milhares de anos, mas que a população pode fazer a sua parte tomando atitudes simples como não colocar fogo no lixo doméstico e fazer aceiros ao realizar queimas em áreas rurais para preparo de solo para plantio, atividade que deve ter autorização ambiental. 'O principal problema das queimadas é que elas podem acabar com a biodiversidade, matando plantas, animais e os microorganismos fundamentais para o equilíbrio ecológico', alertou o diretor.

Segundo a engenheira ambiental e inspetora de recursos florestais do Naturatins, Polliana Gomes, nas áreas rurais as queimadas diminuem a fertilidade dos solos, tornando as lavouras menos produtivas e comprometem a qualidade da água, pois destroem as matas ciliares, que são a proteção dos rios, riachos, córregos e ribeirões, contribuindo para a ocorrência de seca e a baixa unidade relativa do ar. 'Estudos científicos comprovam que as queimadas são a segunda maior causa para o aumento do efeito estufa e do aquecimento global', lembrou a inspetora.

Nas cidades as queimadas geralmente ocorrem de forma criminosa ou acidental, como por exemplo quando uma pessoa joga pontas de cigarros em terrenos baldios. Algumas pessoas também utilizam o fogo na queima de lixo doméstico e limpeza de lotes baldios e com os ventos fortes, comuns nesta época do ano, as chamas se espalham causando danos ao meio ambiente e até às redes elétrica e telefônica.

'O fogo também acaba levando para dentro das residências, cobras, escorpiões, aranhas, ratos, entre outras espécies que fora do seu habitat natural, que podem causar acidentes aos seres humanos', explica o biólogo do Naturatins Marcelo Barbosa.

A fumaça e a fuligem também causam problemas. Diminuem a qualidade do ar provocando doenças respiratórias, como asma e renite, atingindo, principalmente crianças e idosos, e às margens das rodovias podem diminuir a visibilidade dos motoristas e provocar acidentes graves.

Ações

O Naturatins desenvolve ações para minimizar os efeitos das queimadas sem controle. A equipe da Diretoria de Monitoramento Ambiental, por meio de imagens de satélite, identifica áreas com focos de calor. Essas informações são repassadas às equipes de fiscalização das 16 Unidades Regionais do órgão, que identificam e notificam ou multam os infratores. A multa para quem realiza queimadas sem autorização é de mil reais por hectare e reclusão de dois a quatro anos, conforme o Artigo 58 do Decreto Federal nº 6.514, de 25 de julho de 2008. Queimadas sem controle podem ser denunciadas ao Naturatins, por meio da Linha Verde do Naturatins (0800 63 1155).

Também estão sendo realizadas as atividades previstas na Campanha de Combate às Queimadas, levando a sociedade informações sobre como fazer uma queimada controlada, informando as técnicas, manejo, e ainda os prejuízos que elas podem causar. Propagandas na TV e no rádio, baner's e distribuição de folder's com o calendário de queima controlada estão informando os prejuízos do uso indiscriminado do fogo.

O órgão também coordenou e elaborou o PPCDAM/TO - Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas no Estado do Tocantins que está em fase de aprovação no Ministério do Meio Ambiente. Outra ação importante desenvolvida pelo Naturatins é o apoio para que os municípios implantem o Protocolo Municipal de Prevenção e Controle ao Uso do Fogo. O programa já existe em 31 municípios tocantinenses e deve ser ampliado para mais cidades até o final deste ano. Também está sendo realizada uma Força Tarefa nos municípios com maior ocorrência de queimadas, onde técnicos do órgão notificam produtores e orientam sobre o uso correto das queimadas. Já foram visitadas 60 propriedade rurais do entorno de Palmas e do Parque Estadual do Cantão.

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