As solenidades de Nossa Senhora do Rosário, cuja data de celebração é em outubro, tem uma importante presença nos festejos de Monte do Carmo, sempre iniciando após o encerramento da Missa do Divino Espírito Santo, que foi realizada na manhã desta segunda-feira, 17. O marco inicial desta festa é a caçada da rainha, que aconteceu no período da tarde do mesmo dia. Mesmo debaixo de um sol escaldante o evento reuniu milhares de pessoas, que acompanharam com muita animação, cantando e dançado, no ritmo da sússia e ao som dos tambores, o cortejo da futura rainha e sua corte, rumo ao seu acampamento, chamado de botequim, localizado na periferia da cidade.Sobre a origem dessa caçada, muitas teorias se misturam, onde de acordo com o professor de geografia da UFT Universidade Federal do Tocantins, Elizeu Lira, que acompanha os festejo há muitos anos, existe uma junção entre a rainha branca e a rainha negra, que segundo ele, no continente africano eram realizadas essas caçadas. A pesquisadora Elvanir Matos Gomes, explica que a caçada pode ter como referencia também a nobreza européia, que saia com sua corte, para esse tipo de evento, que era tido como diversão. A secretária de cultura do município, Marilda Amaral, destaca o mito existente na cidade, sobre a imagem de Nossa senhora do Rosário, de onde pode ter surgido essa tradição. Segundo ela a lenda diz que a imagem foi encontrada por escravos e trazida para a cidade, mas ao ser levada para a igreja desaparecia no dia seguinte e era encontrada no local onde tinha sido achada. Esse fenômeno foi se repetindo até que um cortejo foi realizado com muita dança e ao som dos tambores, o que encerrou a série de desaparecimentos.A caçada terminou no fim da tarde, com o retorno da futura rainha a sua casa (Casa da Rainha). O presidente da Fundação Cultural do Tocantins, Júlio César Machado, prestigiou a festa. Os CaretasCom disfarces grotescos e satíricos para ocultar a identidade, os caretas são figuras marcantes durante a caçada da rainha, onde armados com cipós aparecem fazendo a festa, assustando e divertindo as crianças e os adultos. Onde segundo Elvanir Matos, seria uma referência aos bobos da corte, presentes na realeza européia, no entanto, Elizeu Lira, ressalta também a questão do revide, escravos fantasiados, que aproveitavam do disfarce para bater nas crianças brancas, filhas dos seus malfeitores. CoroaçãoAo cair da noite, por volta das 20h30, A futura rainha, Liduina Pereira Negry Barbosa, ao lado do Futuro rei, Héder Luiz Almeida Pereira, sai em cortejo, em direção a Igreja Nossa Senhora do Carmo, acompanhados do rei e rainha do ano passado, Joaquim Maia, e Maria Manduca Ayres leal, respectivamente. Chegando ao local do evento, uma estrutura montada no palco do Caminhão BR Arte e Cultura, ao lado da igreja, o cortejo foi recebido pelo padre Edmilson Costa, que realizou a coroação do novo rei e rainha, repassando a eles a coroa, o certo e o manto. Em seguida aconteceu a Santa Missa, em solenidade a Nossa Senhora do Rosário, a protetora dos pobres e negros.Ao termino da Missa, a nova rainha acompanhada do novo rei saíram em cortejo de volta à casa da rainha, onde foi oferecido um café e uma grande diversidade de bolos aos presentes.EncerramentoNa manhã seguinte, dia 18, a rainha, acompanhada do rei, saiu em cortejo acompanhados pelos congos, grupo folclórico que representa a guarda da rainha. O cortejo seguiu até o palco onde foi realizada a Missa para Nossa Senhora do Rosário. Ao termino da Missão, o cortejo seguiu de volta à casa da rainha, mas dessa vez acompanhados pelos tambores, onde uma mesa farta de bolos esperava os festeiros, finalizando assim os festejos do Carmo de 2006.
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