Desigualdade racial e necessidade de enfrentamento ao racismo marcam 2ª edição da Campanha Estadual de Educação em Direitos Humanos

Evento on-line debateu formas de combate ao racismo
por Vitória Soares/Governo do Tocantins
-
Evento on-line foi promovido pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos - Foto: Seciju/Governo do Tocantins file_download

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH), ligado à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), realizou, nessa quinta-feira, 18, a 2ª edição da Campanha Estadual de Educação em Direitos Humanos, com o tema Combate ao Racismo. A mesa-redonda ocorreu de forma virtual, por meio do canal do YouTube da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), instituição parceira da Campanha.

A palestra foi direcionada para estudantes, profissionais da comunicação, servidores públicos e população em geral. Alguns dos temas abordados durante o encontro virtual foram: construção histórica do racismo, as desigualdades raciais presentes em diferentes espaços, o racismo na educação, desde a tentativa de apagamento de importantes personagens negros, até os números de evasão escolar que são maiores entre a população negra.

A mediadora do debate, jornalista Maju Cotrim, iniciou o evento apresentando o questionamento sobre o que é preciso ser feito para mudar um País que ainda é racista. “Primeiro, nós precisamos de consciência individual, cada um nos seus espaços devemos ser vozes contra o racismo e não podemos aceitar que isso aconteça. Também precisamos de políticas públicas de reparação social, para que a gente consiga diminuir esse abismo histórico que continua sendo real”, destacou.

O professor da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) e membro do CEDDH, Eduardo Lima, ressaltou a importância de não se naturalizar as desigualdades raciais. “Não podemos naturalizar essas questões. O racismo existe, porque uma parcela da população está ganhando com isso, o mesmo acontece com as outras desigualdades sociais. Se isso não é algo natural, é algo que podemos modificar e iniciativas como esta Campanha têm influência nisso. São lutas para a construção de uma sociedade onde o combate ao racismo seja, de fato, levado a sério, para que um dia a gente não precise mais discutir isso”, afirmou.

Para o ex-diretor de Combate ao Racismo da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e estudante de direito da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Iã Silva, também é essencial enfatizar os personagens negros da história. “É importante para nossa história e para um jovem como eu participar desse espaço hoje. Precisamos ter um maior impulsionamento em estudar e saber que pessoas do nosso passado tiveram participação importante na construção do nosso País”, ressaltou.

Durante a sua fala, o advogado e secretário-geral da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados no Brasil – Seccional Tocantins, Cristian Ribas, enfatizou os prejuízos ocasionados pela falsa ideia de igualdade racial no Brasil. “Essa ideia de mito da democracia racial é algo que atrasou ainda mais o nosso processo de retomada, de construção de uma identidade política negra no nosso País. Então o nosso processo de conquista em relação às questões de promoção da igualdade racial ainda são muito recentes”, reforçou.

Edições

A Campanha Estadual de Educação em Direitos Humanos teve início em outubro deste ano, com a mesa-redonda Liberdade de Expressão e Discurso de Ódio. Já as próximas edições da campanha tratarão de temas como intolerância religiosa; direitos das mulheres; direitos ambientais; combate à LGBTQIA+FOBIA e preconceito geracional contra crianças, adolescentes e idosos.

Edição: Thâmara Cruvinel

Revisão Textual: Marynne Juliate

keyboard_arrow_up