Combate ao discurso de ódio é foco da 1ª Edição da Campanha Estadual de Educação em Direitos Humanos

Com tema “Liberdade de Expressão e Discurso de Ódio”, participantes falaram sobre a amplificação do discurso de ódio na sociedade atual e as de combatê-lo.
por Vitória Soares/Governo do Tocantins
-
Evento foi promovido pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, com apoio da Seciju e Unitins. - Foto: Seciju/Governo do Tocantins

Com intuito de fomentar o debate sobre o combate ao ataque aos direitos das minorias, foi realizada nesta quinta-feira, 07, a 1ª Edição da Campanha Estadual de Educação em Direitos Humanos, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH), ligado à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju). A mesa redonda online, que teve como tema “Liberdade de expressão e Discurso de Ódio”, ocorreu por meio do canal do Youtube da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). 

A diretora de Direitos Humanos da Seciju, Sabrina Ribeiro, deu início ao evento representando o secretário Heber Fidelis e ressaltou a relevância do tema na atualidade. “Esse é um tema muito pertinente, já que nós temos sidos apresentados a discursos muitos calorosos, principalmente nas redes sociais, quando o assunto envolve religião, politica, identidade de gênero, enfim, direitos sociais como um todo. Por isso, a importância de debater isso em conjunto com a sociedade, uma vez que a Seciju trabalha na defesa desses direitos”, afirmou. 

Para o presidente do Conselho, Deocleciano Gomes, é importante que o discurso de ódio não seja naturalizado na sociedade, por isso, é necessário que a temática seja amplamente discutida. “Nós achamos importante trazer esse tema para a discussão com a sociedade, com o mundo acadêmico e com os profissionais e despertar a atenção de todos para que a gente não naturalize essa onda do discurso de ódio. Precisamos estar atentos a isso, não podemos confundir liberdade de expressão com discurso de ódio, que gera ofensa, que gera agressão”, disse. 

A mediadora do debate, jornalista Maju Cotrim, ressalta que os mais afetados pelo crescimento do discurso de ódio são as minorias. “A gente vem lidando com um discurso cada vez mais forte, com o uso de milícias digitais, de robôs e com as Fake News, eu como jornalista posso falar bem de como convivemos diariamente tentando derrubá-las. Tudo isso embasado no discurso de ódio, querendo confundir liberdade de expressão com direito a agredir pessoas. E quem mais sofre com isso? As comunidades, os negros, as mulheres e todos os grupos tidos como minorias. Por isso, esse é um debate inadiável no Tocantins, que chega através da educação, para pulverizarmos isso”, afirmou. 

O diretor de extensão da Pró- Reitoria de Extensão da Unitins, professor Eduardo Lima, reforçou o trabalho da universidade no fomento a discussões sobre os direitos básicos e fundamentais de todos. “Esse é um momento muito importante, tanto para mim, na condição de conselheiro, como para a própria Unitins, que já tem uma trajetória nessa luta de ir em busca de uma sociedade melhor e na garantia de direitos humanos”, ressaltou. 

Debate

Voltado a estudantes, profissionais da comunicação, servidores públicos e população em geral, o evento contou com a mediação da jornalista Maju Contrim e a participação da professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Tocantins, Gleys Ially Ramos e do jornalista Cleber Toledo. Entre os temas discutidos estiveram as diferenças entre liberdade de expressão e discurso de ódio, papel da comunicação no combate no combate a disseminação de Fake News, ataques aos direitos humanos e a educação como ferramenta de transformação. 

Durante o debate, a professora Gleys Ramos ressaltou o conceito de liberdade de expressão e sua diferença do discurso de ódio. “Liberdade de expressão não é uma construção individual. Direitos humanos são construções coletivas, jamais individuais, então se você tem o direito de falar e outra pessoa do lado não tem, isso não é liberdade, é cerceamento, pois você pode, a outra pessoa não. Em contrapartida a gente vai conclamar o discurso de ódio, que é o silenciamento, quando eu discordo da pessoa e, para isso, vou desqualifica-la”, afirmou. 

Já o jornalista Cleber Toledo falou sobre o papel da imprensa no combate ao discurso de ódio. “Nós comunicadores precisamos ter a responsabilidade de saber que as notícias podem amplificar muitas vezes os pontos de vistas e até distorcê-los, construindo com a amplificação dos discursos de ódio. É preciso ter esse senso de responsabilidade, esse compromisso para reduzir o discurso de ódio”, reforçou. 

Edição: Lauane dos Santos/ Governo do Tocantins

Revisão Textual:

Debate contou com a participação de profissionais que atuam da defesa dos direitos humanos. - Divulgação Seciju/Governo do Tocantins
keyboard_arrow_up