Doença de Newcastle

Doença de Newcastle

A doença de Newcastle (DNC), também conhecida como pseudo peste aviária, pneumoencefalite aviária, disordem respiratório-nervosa e a nível internacional - Newcastle disease é uma enfermidade viral, aguda, altamente contagiosa que acomete aves silvestres e comerciais, com sinais respiratórios, freqüentemente seguidos por manifestações nervosas, diarréia e edema da cabeça. A manifestação clínica e a mortalidade variam segundo a patogenicidade da amostra do vírus. Essa patogenicidade pode variar de muito alta (amostra velogênica), para intermediária (amostra mesogênica) a muito baixa (amostra lentogênica). O agente viral pertence à Família Paramyxoviridae, Gênero Avulavirus A DNC é considerada uma doença de distribuição mundial, com áreas onde possa ser endêmica, ou com áreas/países consideradas como sendo livres da doença.
A definição mais recente da DN, é uma infecção de ave causada por um vírus do sorotipo Paramyxovirus aviário tipo 1 (APMV-1) que apresente Índice de Patogenicidade Intracerebral (IPIC) em pintos - Gallus gallus - SPF (Specific Pathogen Free) de um dia de idade maior do que 0,7.

Epidemiologia
A classificação desses patotipos raramente são vistas a nível de campo, uma vez que essas descrições referem-se a observações em aves SPF inoculadas com os respectivos patotipos. Ainda, a nível de campo, sinais clínicos observados em aves infectadas com estirpes lentogênicas podem ser exacerbadas com infeções por outros microorganismos ou quando condições adversas ambientais estão presentes.
Estirpes do VDN tem sido agrupadas, para fins didáticos, em cinco patotipos com base nos sinais clínicos observados nas aves infectadas. Eles são:

Velogênico Viscerotrópico –Apresenta-se altamente patogênica, culminando em altos índices de mortalidade. Freqüentemente são observados lesões intestinais e respiratórias hemorrágicas;
Velogênico Neurotrópico – Forma que apresenta alta mortalidade e usualmente são observados sinais nervosos e respiratórios; Mesogênico – Apresenta sinais respiratórios mais brandos, ocasionalmente sintomatologia nervosa, mas com baixa mortalidade;
Lentogênica ou vacinal – Apresenta infeções respiratórias brandas ou subclínicas;
Entérica Assintomática – Consiste usualmente de infeção entérica subclínica

Sinais clínicos

Os sinais clínicos descritos para a DN são muito parecidos ou identicos à outras enfermidades infecciosas, como: bronquite infecciosa, laringotraqueíte, coriza, doença crônica respiratória, dentre outras, que causam principalmente sintomas digestivos e respiratórios, indistinguíveis da DN, portanto, sinais clínicos isoladamente não apresentam uma base confiável para o diagnóstico da DN.

A doença causada por uma amostra de vírus extremamente patogênica pode aparecer repentinamente, culminando com alta mortalidade, às vezes, na ausência de outros sinais clínicos. Surtos com o patotipo Velogênico Viscerotrópico do VDN iniciam-se com apatia, alterações respiratórias, debilidade, finalizando com prostração e morte. Pode ainda ocorrer edema ao redor dos olhos e da cabeça. Diarréia esverdeada é freqüentemente observada em aves no início da infeção e anteriormente à morte. Em aves susceptíveis a mortalidade freqüentemente chega a 100%.

As aves acometidas por vírus velogênicos neurotrópicos apresentam doença respiratória severa, acompanhada por sinais neurológicos. A produção de ovos reduz drasticamente. A morbidade pode chegar a 100%, mas a mortalidade é geralmente considerada próxima de 50% em aves adultas e de até 90% em aves jovens.

As amostras mesogênicas do VDN usualmente causam doença respiratória a nível de campo. Em aves adultas, observa-se marcante redução da produção de ovos que pode estender-se por semanas. Sinais nervosos podem ocorrer, mas não são freqüentes. A mortalidade apresenta-se baixa, exceto em aves susceptíveis e ou aves que apresentam infecções concomitantes.
A infeção de algumas espécies de aves silvestres com vírus patogênicos pode não mostrar qualquer sintomatologia clínica, porém, essa espécie animal pode difundir o VDN para planteis susceptíveis. Os vírus lentogênicos da DN não causam doenças em aves adultas. Em aves jovens, susceptíveis, uma doença respiratória branda à moderada pode ser observada, as vezes como resultado da infeção com uma amostra mais patogênica, como a amostra vacinal LaSota, ou estirpes cujo IPIC aproxima-se de 0,7, sendo agravada principalmente com infeções secundárias, podendo ocorrer mortalidade. A vacinação ou infeção de frangos de corte susceptíveis, dias antes do abate, com estas estirpes de vírus, pode levar a colisepticemia com aerossaculite, resultando em condenações no abatedouro.

Transmissão
A transmissão do VDN por contato através de produtos contaminados ou por aerossóis de aves infectadas é uma das principais formas de difusão do agente da DN. Aves apresentando sintomas respiratórios excretam vírus em aerossóis que podem ser inalados por aves susceptíveis. Da mesma forma, como esse vírus também se replica a nível intestinal, pode ser difundido por fezes contaminadas, através da sua ingestão direta ou indiretamente através da ingestão de ração ou água contaminada ou ainda pela inalação de pequenas partículas produzidas pelas fezes secas.

Alguns animais, principalmente pequenos roedores, insetos e artrópodes, os quais transitam entre aves infectadas e aves susceptíveis, podem representar um potencial para a difusão da DN, transmitindo mecanicamente o vírus outro fator de transmissão são pessoas com seus calçados, roupas e veículos. Ainda, subprodutos de aves infectadas e utilizadas como matérias primas para rações tem sido um método comum de difusão do vírus. Pombos infectados, que habitavam fábricas de ração, foram citados como responsáveis por originarem a maioria dos surtos da doença na terceira grande panzootia na Inglaterra, contaminando a ração.

Até o momento, não existe comprovação científica de que o VDN possa ser difundido através de ovos de galinhas infectadas. Por outro lado, a infecção e morte do embrião pode ocorrer durante os primeiros quatro ou cinco dias de incubação de ovos naturalmente infectados.

Lesões macroscópicas

Lesões microscópicas podem variar consideravelmente e também podem apresentar pequeno valor no diagnóstico da DN, não existe lesões patognomônicas para qualquer uma das formas da doença de Newcastle. Vírus que apresentam baixa patogenicidade produzem infeções clinicamente inaparentes com ausência ou o mínimo de lesões, enquanto que outros patotipos produzem sinais clínicos variados da doença.

Na necrópsia podem ser observados edema da cabeça, região do pescoço, peritraqueal e entrada do tórax, hemorragias e ulcerações na laringe, turvação dos sacos aéreos e inflamação da traquéia, culminando com destruição do epitélio traqueal e hemorragia. Freqüentemente são observadas hemorragias no coração e aumento do volume do saco pericárdio. No trato digestivo, hemorragias petequiais na mucosa do proventrículo e no intestino são freqüentemente observadas. Nesse último órgão às vezes observa-se hemorragia na sua luz e até inflamação acentuada na mucosa da cloaca. Na maioria dos casos observa-se diarréia verde brilhante ou sanguinolenta. Ainda pode ocorrer peritonite sero-fibrinosa e petéquias no peritônio.

Quando ocorre envolvimento do trato respiratório, podem ser observados inflamação, infiltrado celular e hemorragia na traquéia e as vezes lesões proliferativa e exsudativa nos pulmões. Na forma mais branda da doença, pode-se observar infiltração linfocitária nos sacos aéreos, pulmões e traquéia.

Diagnóstico
O isolamento viral e a posterior caracterização é o único método seguro de diagnóstico da doença de Newcastle. 

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