Contatos que deixam marcas: papiloscopistas no dia a dia da profissão

Na data que celebra o Dia do Papiloscopista, conheça um pouco mais sobre as áreas de atuação desses profissionais no Tocantins
por Ana Luiza Dias/Governo do Tocantins
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Valtenir, Pollyanna e Wiris são uns dos 110 papiloscopistas, que fazem parte do quadro da Polícia Civil, e contribuem para a garantia de identidade de cada tocantinense. file_download

Hoje, 5 de fevereiro, é comemorado o Dia do Papiloscopista, profissionais especializados em impressões digitais e face. Eles estão presentes na construção da vida da maioria das pessoas, aliás, é por meio do trabalho deles que os indivíduos se tornam únicos e ganham uma identidade própria. 


 

O trabalho do papiloscopista abrange duas grandes áreas: civil e criminal.  Na área civil, o profissional participa do processo de confecção do Registro Geral (RG), no sentido de dar unicidade ao documento. Na área criminal, o papiloscopista pode atuar em diversas situações, as principais são a identificação criminal, perícia papiloscópica em local de crime, perícia papiloscópica em laboratório, necropapiloscopia em desaparecidos e a representação facial humana.


 

Uma área pouco conhecida, mas muito utilizada é a necropapiloscopia, onde o profissional pode atuar no Instituto Médico Legal para realizar a identificação dos cadáveres. “Seja de morte recente ou já em estágio avançado de putrefação, o papiloscopista é capaz de fazer a identificação dessa pessoa.”, é o que explica Pollyanna Tavares, papiloscopista há cinco anos, que trabalha no núcleo especializado de necropapiloscopia e desaparecidos. Além disso, ela conta que atua na área de desaparecidos. “Em parceria com a Polinter (Delegacia Especializada de Polícia Interestadual, Capturas e Desaparecidos) e outros órgãos relacionados a essa área, nós também trabalhamos na busca de pessoas desaparecidas. Conseguimos identificar até mesmo indivíduos que dão entrada no HGP e não são reconhecidos. Nesse caso, o papiloscopista vai até o hospital, colhe as digitais e nós buscamos identificar essa pessoa.”, pontuou.


 

Na investigação criminal, muito conhecida, até mesmo por conta de diversas séries de televisão, o papiloscopista Wiris Pereira Glória conta que por muitas vezes o trabalho do papiloscopista da área criminal realmente se parece com o que é passado na TV. “Tirando o sensacionalismo, o trabalho no Instituto de Identificação se assemelha bastante a esses seriados. Hoje é perfeitamente possível coletar uma impressão digital em um local de crime, inseri-la no sistema automatizado e esse sistema já vai apontar uma série de candidatos. E o papiloscopista, como um profissional especialista em impressão digital, é capaz de individualizar aquela impressão digital, e assim chegar até o suspeito de um crime”, explicou.


 

Após passar por algumas das diversas áreas da papiloscopia,  Valtenir de Freitas Carvalho, papiloscopista há 20 anos, hoje está como supervisor de identificação na área civil. Ele conta que atuou na área criminal, mas que a civil foi uma grande descoberta profissional. “Na identificação civil, percebi o quanto a papiloscopia pode contribuir para a sociedade, porque ela é o início do registro biométrico de um cidadão dentro de um sistema. Quando a pessoa faz a sua carteira de identidade, ela deixa a sua marca e essa marca servirá para um confronto futuro, seja na área civil ou criminal”, enfatizou.

 

No Tocantins, 110 papiloscopistas fazem parte do quadro da Polícia Civil, atuam no Instituto de Identificação, em Palmas, e nos núcleos de identificação nas regionais de Araguatins, Araguaína, Colinas do Tocantins, Guaraí, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, Gurupi e Dianópolis.


 

A diretora do Instituto de Identificação do Tocantins, Elaine Tonon, lembra que o trabalho do papiloscopista é fundamental para a garantia da cidadania dos tocantinenses e conta como é estar à frente do Instituto. “É um grande desafio todos os dias. Muito foi alcançado até aqui,  mas há muito para conquistar ainda e é isso que nos move: aperfeiçoar cada vez mais o nosso atendimento ao cidadão,  seja na entrega de um RG ou  seja na resposta frente a uma ocorrência criminal”, disse.


 

O secretário da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), Wlademir Costa, reforça a importância da papiloscopia também para que a segurança e justiça sejam preservadas no Estado. “Quando falamos da papiloscopia, não estamos falando só da confecção de um documento de identidade, estamos dando unicidade às pessoas”, enfatizou. O secretário ainda destaca o empenho da gestão no fortalecimento do Instituto de Identificação, que só no ano de 2022 entregou 27 Núcleos de Identificação. Ao todo já são 112 Núcleos descentralizados por todo o Estado.


 

CASOS MARCANTES

A mulher do HGP

Nas diferentes áreas de trabalho, cada um vive diariamente experiências únicas, mas alguns casos são mais marcantes. Pollyanna lembra de um caso recente que ocorreu em Palmas. “Uma paciente do Hospital Geral de Palmas (HGP) não tinha identificação. Como ela tinha problemas psiquiátricos, não sabia dizer de onde vinha ou mesmo o próprio nome. Coletamos as impressões digitais, fizemos a busca no sistema, mas não encontramos nada. Então enviamos os dados para outros estados. O RG da mulher positivou no Distrito Federal e com isso conseguimos fazer a busca da família. Entramos em contato, a mãe da mulher estava desesperada porque já havia um mês que a filha estava desaparecida. Então essa família pode ter de volta um ente querido, graças ao trabalho do papiloscopista.”


 

A quadrilha do RG

O papiloscopista Valtenir conta um caso que ocorreu no Instituto de Identificação, em 2011, onde uma quadrilha tentava emitir carteiras de identidade com certidões de nascimento falsas. “Fizemos todo o procedimento normal para emissão de RG, mas quando foi submetido ao confronto papiloscópico pelo setor de arquivo, que é onde pegamos a impressão digital de quem está solicitando e confrontamos com a digital de quem já solicitou, nós identificamos a falsidade ideológica. A partir daí as investigações foram iniciadas. Tratava-se de uma quadrilha que já estava atuando em Palmas e quatro pessoas foram presas.”


 

Câmera escondida

Por meio da impressão digital deixada no objeto usado para extorsão, foi possível encontrar o autor do crime. Esse é o caso marcante contado pelo papiloscopista Wiris. "Participei da investigação de um crime de extorsão, onde foi encontrada uma câmera instalada dentro de uma caixa de som. O criminoso usava as imagens da câmera para extorquir a vítima. Quando a perícia identificou a câmera, um agente teve a ideia de mandar o objeto para a papiloscopia analisar. Geralmente, nesse tipo de caso, esse material é levado diretamente para a perícia em vídeo. Mas dessa vez foi para a papiloscopia também. Então nós abrimos o material e identificamos as impressões digitais do suspeito de cometer o crime. A partir daí saiu o mandado de prisão e ele foi preso. Até hoje eu lembro da agente me falando ‘olha, você me poupou uns três meses de investigação’. Então a papiloscopia contribui de forma significativa para a investigação criminal.”


 

Edição: Vania Machado

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Wiris Pereira Glória, papiloscopista há 6 anos, é chefe do núcleo especializado em papiloscopia. - file_download
Pollyanna Tavares, papiloscopista há 5 anos, atua nas áres de necropapiloscopia e desparecidos. - file_download
Valtenir de Freitas Carvalho, papiloscopista há 20 anos, é supervisor de identificação na área civil. - file_download
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