A soja que sai do Tocantins vem sendo retida há quase dez dias em Porto Franco (MA). A situação motivou representantes das três multinacionais que atuam no Estado, Cargil, Multigrain e Bunge, a pedirem ajuda à Seagro Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O estrangulamento do produto no local já representa prejuízos às multinacionais. O secretário da Agricultura, Roberto Sahium, após ouvir os representantes das multinacionais, está negociando com a direção da Vale do Rio Doce para resolver o impasse. Ele antecipa que o Governo do Tocantins não medirá esforços para que o produto chegue ao destino certo. Sahium lamenta que esse problema esteja acontecendo, pois segundo ele, com isso, todo o empenho e investimento desenvolvidos pela Seagro em relação às políticas públicas na área da agricultura, ao chegar na ponta, acaba sendo comprometido. O carregamento da soja que sai do Estado passa por três processos. De caminhão, o produto chega até às unidades de Porto Franco (MA). De lá, segue de trem até o Porto de Itaqui (MA), e, em seguida, de navio para o destino da compra. O problema, de acordo com os representantes das multinacionais, inicia na hora do embarque da soja nos vagões, pois cabe à Vale do Rio Doce fazer uma programação das datas desses vagões e dos navios. Neste caso, segundo eles, a prioridade é para o carregamento dos minérios, o que resulta em prejuízo para a soja. O encarregado do Departamento Fiscal, no Tocantins e Maranhão, da empresa Multigrain, Edílson José do Carmo, informou que um navio que estava programado para levar 30 mil toneladas de soja a Israel, teve sua data prorrogada por mais 15 dias, e a empresa só foi comunicada no momento do embarque. Não perdemos essa venda porque o comprador veio ao Brasil se certificar da situação, explicou Edílson José. O gerente comercial da Bunge na Região Norte, José Gabriel, disse que a safra 2004/2005, no Tocantins foi excelente, com um crescimento de aproximadamente 40% em relação à de 2003/2004, mas o atraso da colheita, ocorrido em função das chuvas, bem como o próprio aumento da produção e a falta de vagões, contribuíram para congestionar o escoamento da produção. José Gabriel teme também uma perda significativa na exportação da soja em função da demora do embarque. Ele antecipou que, neste ano, a empresa investiu, só na estrutura de armazenamento e secagem do produto em Porto Nacional e Guaraí, cerca de R$ 11 milhões. O valor aplicado rendeu bons resultados, mas todo o trabalho pode ser comprometido se a Vale do Rio Doce não resolver o impasse dando prioridade ao carregamento da soja. A Bunge estima uma produção de 400 mil toneladas e quanto mais tempo o produto ficar parado em Porto Franco, mais vendas poderão ser canceladas.
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