Esforço nosso de cada dia

Enquanto algumas pessoas residem próximas a uma escola e não estudam, os alunos da zona rural enfrentam vários obstáculos, mas não desistem de lutar por um futuro melhor. A exemplo da servidora municipal Hozenir Dias Veras de Sousa, 35 anos, mãe de dois filhos, que enfrenta todos os dias um percurso de mais de uma hora para chegar à escola. Ela trabalha como assistente administrativo na Escola Municipal Cristo Rei, localizada no povoado Bonfinópolis, no município de Rio do Sono.
por Josélia de Lima
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Enquanto algumas pessoas residem próximas a uma escola e não estudam, os alunos da zona rural enfrentam vários obstáculos, mas não desistem de lutar por um futuro melhor. A exemplo da servidora municipal Hozenir Dias Veras de Sousa, 35 anos, mãe de dois filhos, que enfrenta todos os dias um percurso de mais de uma hora para chegar à escola. Ela trabalha como assistente administrativo na Escola Municipal Cristo Rei, localizada no povoado Bonfinópolis, no município de Rio do Sono. Às 17 horas, Hozenir sai do trabalho, percorre dois quilômetros de bicicleta para ir até sua casa, às 17h30, pega o transporte escolar, que leva até a margem do Rio Sono. Ela atravessa o rio e na outra margem pega outro transporte para ir à Escola Estadual Meira Matos, em Aparecida do Rio Negro, onde cursa a 1ª série do Ensino Médio.Hozenir que tinha parado de estudar em 1982, resolveu retomar os estudos para seguir o seu sonho: o de ser professora. Pesando num futuro melhor ela enfrenta os obstáculos com naturalidade comemorando as suas conquistas diárias. “Voltar a estudar foi muito bom. Na escola contamos com o apoio dos professores que sabem reconhecer nossas dificuldades”, explica ela.Pensando na sua luta diária para estudar, Hozenir manda um recado para aqueles que residem próximo à escola e não estudam. “É necessário pensar no futuro, aproveitar as chances. O estudo vale a pena, é ele que dita nosso futuro”.Deusina Alves Costa é colega de Hozenir, realiza o mesmo percurso todos os dias. Ela conta que os alunos de Bonfinópolis que estudam na Escola Estadual Meira Matos se reúnem no trabalho de Hozenir, na hora do intervalo, para fazerem as tarefas escolares e estudarem. Deusina acredita que nos dias de hoje para viver bem depende dos estudos, por isso, ela voltou à escola depois de alguns anos.O retorno à escola para Raimundo Nonato Gomes de Sousa, 27 anos, estudante da 5ª série da Escola Estadual Meira Matos, foi diferente. Ele é motorista do transporte que leva os alunos até a margem do rio e depois de ficar parado esperando os alunos retornarem, Raimundo decidiu também estudar e sonhar por melhores dias.Decisões coletivasA equipe gestora da Escola Estadual Meira Matos está experimentando uma nova forma de administrar. Desde o ano passado, foi implantado o projeto de “presidente de turmas”, que entre as várias atribuições, monitoram os alunos faltosos. O grupo trabalha de forma integrada com o “professor conselheiro”, que juntos definem ações para melhorar a escola em todos os seus aspectos.Os alunos através dos seus representantes escolhem o cardápio da merenda escolar, participam do Conselho de Classe e sugerem mudanças na escola. Também um aluno é escolhido para ser vereador mirim, responsável para levar à Câmara Municipal as reivindicações dos estudantes das turmas de Educação de Jovens e Adultos e do Ensino Médio, sobre problemas municipais.A gestora Sandreane Sousa Costa esclarece que os alunos participam de todo o processo da escola e para ela esse é o segredo para o sucesso dos projetos desenvolvidos.O município de Aparecida do Rio Negro tem uma população estimada em 3.600 habitantes o que facilita a interação da escola com a comunidade. Os pais estão organizados num clube que se reúnem uma vez por mês para saber o que a escola está fazendo e sugeri.Uma das maiores realizações da escola é o projeto ambiental. Através dele, os alunos refletem sobre o lixo na escola, o desperdício, conservação do prédio, arborização e reciclagem. Depois de estudarem sobre o ambiente escolar, eles passam a visitar pontos estratégicos da cidade para analisar a questão do lixo, da poluição dos rios e como a população trata os bens públicos. De acordo com Sandreane, depois dessas discussões, os alunos passaram a cuidar melhor do seu espaço escolar e a valorizar as coisas que têm acesso.

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