Tocantins realiza 21ª Reunião Anual de Doença de Chagas e Leishmaniose Visceral

Evento reúne gestores e profissionais de saúde para fortalecer a vigilância e o controle das doenças no estado
por Bruno Lacerda/Governo do Tocantins
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Representantes dos municípios tocantinenses recebem atualizações sobre Chagas e Leishmaniose - Foto: Bruno Lacerda - Governo do Estado file_download

A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) promove, entre os dias 24 de fevereiro e 28 de março, a 21ª Reunião Anual de Avaliação e Planejamento das Ações de Vigilância e Controle da Doença de Chagas e das Leishmanioses. A capacitação acontece na sede da Superintendência de Vigilância em Saúde, em Palmas, e têm como público-alvo secretários municipais de saúde, coordenadores de atenção básica, vigilância epidemiológica e endemias.

A programação é estruturada em diferentes etapas, abordando temas essenciais para a atualização e qualificação dos profissionais que atuam no controle dessas doenças nos 139 municípios tocantinenses. As atividades incluem palestras, debates e orientações práticas sobre estratégias de vigilância, diagnóstico laboratorial, preenchimento de notificações nos sistemas oficiais e monitoramento de casos crônicos.

“Objetivamos que, a partir da operacionalização do conceito de risco e da articulação entre as ações promocionais, preventivas e curativas, com atuação intersetorial e com foco voltado para o território, possamos contribuir para a melhoria da saúde da população dos 139 municípios do Tocantins”, relatou a diretora de Vigilância das Doenças Vetoriais e Zoonoses da SES-TO, Mary Ruth Batista Glória Maia.

Entre os temas abordados estão a avaliação dos indicadores de vigilância, prevenção e controle da doença de Chagas, o papel da entomologia no monitoramento dos vetores e a busca ativa de casos crônicos. Profissionais da área técnica da SES-TO também ministram capacitações sobre os processos de notificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e no e-SUS Notifica, fundamentais para o acompanhamento epidemiológico.

A programação inclui ainda um módulo específico para a leishmaniose visceral, com debates sobre o perfil epidemiológico da doença no Tocantins e estratégias de combate para 2025. O evento prevê a elaboração de planos de ação municipais para intensificar a vigilância e o controle da transmissão, além de definir prioridades para as equipes de atenção primária e vigilância epidemiológica.

"O encontro é um momento fundamental no calendário da vigilância da doença de Chagas e das leishmanioses, pois permite reunir as equipes dos 139 municípios para uma análise detalhada das ações desenvolvidas. Além de avaliarmos os dados epidemiológicos e operacionais do ano anterior, também estruturamos estratégias para aprimorar o controle dessas doenças. O principal resultado dessa capacitação será a elaboração de um plano de ação para 2025, garantindo que as atividades de vigilância e combate sejam executadas de forma sistemática e eficaz nos municípios", destacou o biólogo em saúde e responsável pela área técnica das leishmanioses da SES-TO, Júlio Bigeli.

A capacitação será realizada em fases, organizadas por regiões de saúde, garantindo a participação de todos os municípios do Tocantins. Entre os dias 24 e 26 de fevereiro, serão atendidas as cidades das regiões Capim Dourado e Cantão, seguidas por Amor Perfeito e Sudeste, de 26 a 28 de fevereiro. As demais regiões, como Médio Norte Araguaia, Bico do Papagaio, Cerrado Tocantins Araguaia e Ilha do Bananal, terão seus encontros ao longo de março. Essa estratégia permite uma abordagem mais específica das realidades locais, facilitando a troca de experiências e o desenvolvimento de ações mais eficazes para o combate às doenças.

"Essa capacitação anual sobre leishmaniose e doença de Chagas é fundamental, especialmente para os novos servidores que entram nas mudanças de gestão. Garantir essa qualificação é essencial para que esses profissionais possam levar para suas localidades o conhecimento técnico repassado pela Secretaria Estadual de Saúde, fortalecendo a vigilância dos casos e aprimorando o atendimento à população", afirmou o coordenador de endemias do município de Tocantínia, Antônio Pereira de Oliveira.

Dados

Em 2025, o Tocantins registrou 52 novos casos confirmados de leishmaniose visceral, representando uma redução de aproximadamente 50% em relação ao ano anterior. Apesar da queda no número de casos, a doença ainda resultou em três óbitos, com uma taxa de letalidade de 6,25%. Além disso, cerca de 30% dos pacientes apresentaram coinfecção com HIV, um fator que agrava o quadro clínico. Já a leishmaniose tegumentar teve 244 novos casos, uma redução de 25% em comparação a 2024, sem registros de óbitos. O diagnóstico laboratorial foi realizado em cerca de 65% dos casos, demonstrando o avanço na identificação e acompanhamento da doença no estado.



Já a Doença de Chagas Aguda (DCA), entre 2007 e 2024, o Tocantins registrou 59 casos, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A maioria dos casos foi identificada como surtos de transmissão oral, relacionados ao consumo de alimentos como palmito de babaçu, açaí e bacaba, sendo os municípios de Ananás e Aparecida do Rio Negro os mais afetados, com 11 e 15 casos, respectivamente. Também houve registros de transmissão vetorial em nove municípios, incluindo Pindorama, Esperantina e Filadélfia, além de três casos cuja forma de contágio não foi definida. O cenário destaca a necessidade de reforço na vigilância epidemiológica e no controle da cadeia de produção de alimentos na região.



 

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