Tocantins avança na eliminação do tracoma em comunidades indígenas

Projeto articulado entre parceiros nacionais e internacionais fortalece vigilância, tratamento e ações preventivas no estado
por Alysson-Neya Chaves / Governo do Tocantins
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Daniela Vaz do MS destaca que o Tocantins tem dado uma resposta muito positiva. - Foto: Alysson-Neya Chaves / Governo do Tocantins file_download

Com foco na prevenção e na continuidade de políticas públicas educativas, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) participa do projeto Eliminação do Tracoma nas Américas – Tocantins/Brasil. A iniciativa é da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em parceria com o Ministério da Saúde e o Governo do Canadá.

Executado desde 2023 e financiado pelo governo canadense, o programa abrange dez países das Américas. No Tocantins, já há indicativos de eliminação da doença em territórios indígenas, com a participação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). As primeiras ações incluíram um inquérito epidemiológico para mapeamento das áreas, seguido de visitas a sete comunidades indígenas, alcançando mais de 1.500 domicílios entre levantamento inicial e ampliação da amostra.

O projeto segue a estratégia internacional de saúde (SAFE), que engloba cirurgias, uso de antibióticos, promoção da higiene facial e melhorias ambientais. Foram realizadas visitas domiciliares, tratamento dos casos identificados, capacitação de profissionais de saúde e ações educativas. Em 2025, também foram realizadas cirurgias em pacientes com triquíase tracomatosa, estágio mais avançado da doença.

A eliminação do tracoma é uma meta nacional, mas o desempenho local é fundamental. Segundo a representante da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Daniela Vaz, o avanço depende do trabalho contínuo nos territórios. “O Brasil só poderá declarar a eliminação quando houver consistência nas ações locais. O Tocantins tem apresentado resultados muito positivos, alcançando os parâmetros de eliminação para triquíase tracomatosa e avançando no controle do tracoma inflamatório, especialmente em crianças de 5 a 9 anos. Agora, o foco é manter esses resultados com ações contínuas e integradas”, destacou.

Para a superintendente de Vigilância em Saúde da SES-TO, Perciliana Bezerra, o projeto vai além de indicadores numéricos. “Trabalhar com prevenção e controle é promover saúde. O avanço já é visível, mas não permite acomodação. Estamos próximos dos níveis de eliminação aceitáveis, porém esse não é o ponto final. É preciso continuidade, eficiência, eficácia e presença constante nos territórios”, afirmou.

A técnica da OPAS no Brasil, Sheila Rodovalho, ressaltou que o projeto evoluiu a partir de um diagnóstico inicial. “Iniciamos com um diagnóstico situacional e um inquérito epidemiológico. Com isso, conseguimos direcionar ações de tratamento, educação em saúde e melhorias ambientais, envolvendo diretamente as comunidades e os agentes indígenas”, explicou.

Durante a execução, cerca de 40 agentes indígenas de saúde e saneamento foram capacitados para atuar diretamente nos territórios, elaborando e executando planos de ação com atividades práticas, como rodas de conversa, orientações e ações de limpeza. Além disso, o Estado avançou na qualificação da assistência, com a formação de um profissional apto a realizar cirurgias de triquíase tracomatosa, fortalecendo a autonomia e a capacidade de resposta local.

O enfermeiro da Divisão de Atenção à Saúde Indígena (DSEI-TO), Leiderlan Dias Gama, destacou o protagonismo das comunidades. “As ações ganharam força com o engajamento das populações indígenas, facilitado pelo protagonismo dos próprios agentes locais. Isso garantiu adesão, compreensão e participação ativa nas atividades. O encerramento deste ciclo não representa o fim, mas uma transição para a sustentabilidade das ações do Estado e de seus parceiros”, concluiu.

Revisão Textual: Flavia Mendes / Governo do Tocantins

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