SES-TO chama atenção para o Dia Mundial da Doença de Chagas

Estado reforça vigilância e alerta para importância do diagnóstico precoce
por Savick Brenna/Governo do Tocantins
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Vigilância da SES-TO monitora presença do barbeiro em áreas urbanas e rurais do Tocantins. Foto 02.png file_download

No dia 14 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Doença de Chagas, data instituída pela Organização Mundial da Saúde em 2019 para ampliar a conscientização sobre essa infecção negligenciada. A campanha busca dar visibilidade aos mais de sete milhões de pessoas afetadas no mundo, com foco na detecção precoce, diagnóstico e acesso ao tratamento. Neste contexto, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) reforça a importância do diagnóstico precoce para identificação da doença.

A doença de Chagas, também chamada de tripanossomíase americana, tem sido denominada “doença silenciosa e silenciada”, tanto pelo curso clínico lento e frequentemente assintomático quanto por atingir, majoritariamente, populações em situação de vulnerabilidade. Apesar disso, a SES-TO mantém dados atualizados que indicam risco de transmissão também em áreas urbanas, incluindo domicílios, prédios e espaços públicos.

Transmissão

Segundo o médico infectologista Flávio Augusto de Padua Milagres, “a doença de Chagas continua sendo um tema relevante para a saúde pública no Brasil. Ela apresenta hoje, do ponto de vista da transmissão vetorial pelo barbeiro, um controle significativo. Entretanto, temos observado uma mudança nesse perfil, com aumento da transmissão pela forma oral e também congênita, ou seja, a transmissão materno-infantil”.

As notificações estão distribuídas nas regiões do Bico do Papagaio, Médio Norte Araguaia, Cerrado Tocantins Araguaia, Capim Dourado e Amor Perfeito. A presença do vetor em áreas urbanas e prédios públicos reforça a necessidade de atenção contínua por parte dos gestores municipais.

Na comparação entre os anos, observa-se leve redução no número de municípios notificantes, mas aumento dos registros positivos, indicando ampliação das ações de vigilância e detecção.

Ainda de acordo com o especialista, “o Ministério da Saúde adota a notificação dos casos de doença crônica. Quando um paciente recebe esse diagnóstico, seja na unidade básica, em um check-up ou pré-cirúrgico, esse caso deve ser registrado por meio de formulário específico. Isso permite identificar essas pessoas e aprimorar as ações de saúde pública”.

Ele destaca que “as ações de vigilância, controle de vetores, diagnóstico precoce e oferta de tratamento são fundamentais para garantir a segurança e a saúde da população”.

Outro ponto de atenção é a transmissão congênita. “Muitas mães grávidas não sabem que são portadoras da doença e existe o risco de transmissão materno-infantil, podendo infectar os filhos durante a gestação ou no momento do nascimento”.

Prevenção

A prevenção envolve diferentes medidas, conforme a forma de transmissão. Entre as principais ações estão o controle do inseto barbeiro dentro das residências, com uso de inseticidas por equipes especializadas, além da instalação de telas e mosquiteiros para impedir a entrada do vetor.

A SES-TO destaca ainda que a mobilização social tem papel fundamental. A chamada busca passiva, quando a própria população notifica a presença do inseto, tem contribuído para ampliar os registros.

Também é recomendado o uso de proteção individual, como repelentes e roupas de manga longa, especialmente em atividades noturnas em áreas de mata. Para evitar a transmissão oral, é essencial reforçar a vigilância sanitária em toda a cadeia de produção de alimentos, com inspeções rigorosas e capacitação de profissionais.

Tratamento

O tratamento da doença de Chagas deve ser indicado e acompanhado por um médico, após a confirmação do diagnóstico. O medicamento etiológico, Benznidazol, é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados

A Secretaria mantém vigilância ativa e passiva em todo o estado, com foco no monitoramento do barbeiro (triatomíneo).

Os dados mais recentes, referentes a 2024 e 2025, indicam baixa ocorrência de casos agudos e número reduzido de óbitos: foram 41 mortes em 2024 e 29 em 2025, considerando dados parciais até 8 de abril. O cenário é atribuído às ações permanentes de vigilância e controle vetorial.

Ainda assim, a SES-TO alerta para a baixa suspeição clínica nas unidades de saúde, fator que pode atrasar o diagnóstico e comprometer o tratamento oportuno.

A fase aguda da doença tem duração média de até 60 dias e representa o período mais eficaz para intervenção terapêutica. Após esse intervalo, a doença pode evoluir para a forma crônica, com manifestações cardíacas e digestivas.

O especialista reforça a gravidade desse estágio: “estima-se que entre um e dois milhões de pessoas vivam com a forma crônica da doença de Chagas no Brasil. Esses pacientes podem apresentar dilatações do estômago e intestino, alterações cardíacas, aumento da área cardíaca, além de maior risco de arritmias e mortes associadas a essas complicações”.

Em 2024, 126 municípios notificaram a captura de triatomíneos, sendo 82 com resultado positivo. Já em 2025, foram 119 municípios notificantes, com 84 positivos. Na zona urbana, 96 municípios registraram capturas em 2024 e 90 em 2025. Também houve registros em prédios públicos em ambos os anos.

Revisão Textual: Flavia Mendes/Governo do Tocantins

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