SES-TO capacita servidores sobre humanização no processo de doação de órgãos

O objetivo é melhorar a abordagem e reduzir o índice de recusa de doações em todo o Estado
por Alysson-Neya Chaves/Governo do Tocantins
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A capacitação visa melhorar o atendimento às famílias enlutadas e aumentar as doações de órgãos no Estado - Foto: Alysson-Neya Chaves/Governo do Tocantins file_download

É em um momento delicado como a perda de um ente querido, que a equipe multiprofissional hospitalar desempenha um papel fundamental durante o acolhimento familiar. Com o propósito de capacitar os profissionais envolvidos no processo para esta acolhida, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) realizou na terça, 27, em Palmas, o curso ‘Acolhimento familiar, comunicação em situações críticas, e os desafios na entrevista familiar para doação de órgãos e tecidos’. 

O treinamento abordou aspectos técnicos, emocionais e éticos da doação, enfatizando a importância da humanização do atendimento à família enlutada com as temáticas: ‘conhecer as etapas e estágios do luto no processo de perdas imediatas’ e os ‘Desafios na entrevista para doação de órgãos e desafios’.

Os participantes vivenciaram uma simulação realista de entrevista e debateram estudos de casos. Participaram profissionais da Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), Banco de Olhos do Tocantins e da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplante em hospitais privados.

Segundo a responsável pela Central de Transplante no Tocantins (CETTO), Suziane Vilela, "o objetivo é treinar os profissionais para que, mesmo diante da dor e do sofrimento, possam oferecer o apoio necessário e garantir que a decisão sobre a doação seja tomada de forma consciente e respeitosa. Os profissionais mais preparados no atendimento às famílias vão diminuir a resistência ao processo de doação e aumentar o índice de doações no Estado. Atualmente no Tocantins, o índice de recusa chega a 70%”.

A doação não é obrigatória, mas voluntária e as equipes da SES-TO realiza o acolhimento familiar conforme rege o Decreto nº 9.175, de 18 de outubro de 2017, o qual regulamenta a Lei nº 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, que trata da disposição de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. 

A palestrante, enfermeira Lisiane Paiva Alencar destacou a importância de um atendimento multiprofissional durante o acolhimento familiar. “A doação de órgãos não deve ser vista como uma imposição, mas sim como uma possibilidade que pode aliviar a dor da perda e salvar vidas. A dor é inevitável, mas o acolhimento bem feito pode transformar essa dor em solidariedade”.

“Um dos maiores desafios que a gente tem é a cultura mesmo da nossa população, que não se fala em doação, então não é fácil chegar para acolher uma família num momento tão doloroso, a morte é um assunto que as famílias não conversam. Existem muitos mitos e tabus acerca do tema. Mas o curso é uma oportunidade para os profissionais aprenderem como quebrar essas barreiras e proporcionar às famílias um atendimento de qualidade e respeito”, afirmou a enfermeira da CETTO, Tamires Yasmim Guido de Carvalho.

 

A comunicação humanizada

Para a Coordenadora da Organização de Procura de óbitos (OPO) da SES-TO, Marília Batista Ribeiro, o profissional da saúde é peça chave no processo e que o acolhimento familiar não se limita apenas à doação de órgãos, mas deve ser visto como uma prática de humanização no atendimento em qualquer situação de crise dentro do ambiente hospitalar. "A capacitação dos profissionais de saúde é fundamental, porque eles são a chave no processo, vão oportunizar para essas famílias decidirem de fato, mas decidirem com informação e embasamento de serem doadoras ou não”.

 

Edição: Aldenes Lima - Governo do Tocantins

O acolhimento deve ser conduzido com informações claras, garantindo que a família possa tomar uma decisão consciente e informada - Alysson-Neya Chaves/Governo do Tocantins file_download
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