A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) realizou neste sábado, 13, no Hospital Geral de Palmas (HGP), cirurgias de correção de Triquíase Tracomatosa em quatro pacientes indígenas da etnia Krahô, do município de Itacajá. A ação faz parte do Projeto Tracoma, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Governo do Canadá, por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com foco na eliminação do tracoma como causa evitável de cegueira entre populações indígenas.
Os procedimentos foram definidos após alinhamento realizado na sexta-feira, 12, entre a SES-TO, o Ministério da Saúde, o Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI/TO) e equipe médica especializada. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento de doenças negligenciadas e ao fortalecimento da atenção à saúde indígena no estado.
De acordo com a assessora técnica da área de malária e tracoma da SES-TO, Vanuza Alves, a triquíase provoca impactos significativos na qualidade de vida dos pacientes. “Os pacientes afetados possuem um desconforto visual muito grande, que pode evoluir para cegueira. A cirurgia tem como objetivo corrigir o posicionamento da pálpebra e evitar danos à córnea. A ação visa operar casos de entrópio de origem tracomatosa em indígenas da etnia Krahô, do município de Itacajá”, explicou a assessora técnica da SES-TO, Vanuza Alves.
A consultora técnica do Ministério da Saúde, Maria de Fátima Lopes, ressaltou que a ação é resultado de um trabalho contínuo iniciado em 2024. “Realizamos um estudo de prevalência do tracoma em áreas indígenas do Tocantins e os resultados apontaram maior concentração de casos em aldeias dos municípios de Itacajá e Goiatins. Além dos casos inflamatórios, identificamos situações de triquíase tracomatosa, que são sequelas da doença e podem levar à cegueira quando não tratadas”, afirmou a consultora técnica do MS, Maria de Fátima Lopes.
Segundo a consultora, os pacientes atendidos nesta etapa foram identificados durante um inquérito nacional de validação da eliminação do tracoma como problema de saúde pública. “Após a identificação, retornamos às comunidades, reavaliamos os casos e realizamos exames oftalmológicos para definir a indicação cirúrgica. Os procedimentos realizados hoje representam uma etapa essencial para interromper a progressão da doença e preservar a visão dessas pessoas”, completou Maria de Fátima Lopes.
As cirurgias foram conduzidas por médicos especialistas em plástica ocular, voluntários do Programa de Vigilância e Controle do Tracoma do Ministério da Saúde, com a participação de oftalmologistas do estado. A ação também contempla a capacitação de profissionais tocantinenses, fortalecendo a rede local de atendimento e garantindo continuidade às ações de prevenção da cegueira.
Entre os pacientes atendidos está o indígena Gregório Krahô, de 80 anos, morador do município de Itacajá, que se deslocou até a capital para realizar o procedimento. “A gente na comunidade não sabia o que era o tracoma nem o problema que ele causava no olho. Quando falaram que tinha como melhorar o que a gente sentia, viemos buscar o tratamento”, relatou o paciente indígena Gregório Krahô.
Tracoma
O tracoma é uma doença ocular infecciosa causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e considerada a principal causa evitável de cegueira no mundo. Acomete principalmente populações em situação de vulnerabilidade social, com acesso limitado a saneamento básico, água potável e serviços de saúde.
A transmissão ocorre por contato direto com secreções oculares e nasais, uso compartilhado de objetos contaminados e pela ação de vetores mecânicos, como moscas. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para formas graves, com danos estruturais às pálpebras e à córnea.
A triquíase tracomatosa é uma das complicações mais severas do tracoma. Nessa fase, os cílios crescem voltados para dentro do olho, provocando dor, lacrimejamento, lesões na córnea e risco de cegueira irreversível. O tratamento cirúrgico é a principal forma de impedir a progressão da perda visual.
Estratégia SAFE
As ações desenvolvidas no Tocantins seguem a estratégia SAFE, recomendada pela Organização Mundial da Saúde, que reúne quatro pilares: cirurgia para correção da triquíase, uso de antibióticos, promoção da higiene facial e melhorias ambientais. A integração dessas medidas fortalece o compromisso do estado com a eliminação do tracoma como problema de saúde pública entre os povos indígenas.
✓ Compatível com leitores de tela (NVDA, JAWS, VoiceOver)
✓ Navegação por teclado (Tab, Enter, Esc, setas)
✓ Tradução em Libras via VLibras