SES-TO assiste população indígena com cirurgias de correção de triquíase tracomatosa

A ação integra o Projeto Tracoma, em parceria com a Organização Pan-americana de Saúde
por Alysson-Neya Chaves / Governo do Tocantins
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- Durante a reunião analisaram os casos dos cinco pacientes indígenas que serão submetidos a cirurgias - Foto: Divulgação SES-TO file_download

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) alinhou na sexta-feira, 12, com o Ministério da Saúde (MS) e equipe médica e do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI/TO), a realização de procedimentos cirúrgicos de correção de Triquíase Tracomatosa (TT), que serão realizados neste sábado, 13, no Hospital Geral de Palmas, assistindo cinco pacientes indígenas. A iniciativa integra o Projeto Tracoma, financiado pelo Governo do Canadá por meio da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS/OMS), que vai contribuir para a eliminação do tracoma como causa evitável de cegueira entre os indígenas do Tocantins.

A iniciativa contempla ainda a capacitação de dois oftalmologistas do Estado do Tocantins, que serão formados pela equipe nacional como referências nas Américas na realização de cirurgias de correção de TT. A formação representa um avanço estratégico para garantir sustentabilidade, autonomia e continuidade das ações de prevenção da cegueira por tracoma no território.

A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-TO, Perciliana Bezerra explicou que “o tracoma é uma doença endêmica entre povos indígenas no Tocantins e é considerada negligenciada. Após essa etapa final do projeto que incluiu inquéritos, pesquisas e análises, culminando com esses procedimentos oftalmológicos, o acompanhamento passa a ser responsabilidade do Estado, por meio de uma articulação entre a Secretaria de Saúde e o DSEI Tocantins”. 

Segundo a consultora técnica do MS, Maria de Fátima Lopes, “o trabalho realizado no Tocantins faz parte de uma pesquisa nacional desenvolvida há alguns anos sobre doenças negligenciadas, especialmente o tracoma em populações indígenas e destacou que um inquérito de prevalência realizado em 2023, foram identificados casos sequelares que exigiam cirurgia e, ao ampliar a busca, encontraram 49 pessoas com problemas relacionados à doença. Contamos com oftalmologistas voluntários e profissionais locais, e além dos procedimentos oftalmológicos que serão realizados amanhã, outras intervenções continuarão no próximo ano em Itacajá e Goiatins, para finalizar o atendimento das demais pessoas identificadas no estudo”.

O coordenador do DSEI Tocantins, Haratumá Warasi Maurerri Javaé destacou a parceria e a importância da reunião. “O alinhamento realizado na reunião é fundamental para garantir a execução das cirurgias programadas para amanhã, consideradas uma grande conquista para a saúde indígena no distrito. Agradecemos a parceria da OPAS e da Secretaria de Vigilância em Saúde, que contribuíram para viabilizar a ação, isso fortalece o trabalho no território indígena e abre caminho para que mais iniciativas efetivas continuem sendo implementadas em benefício das comunidades atendidas pelo DSEI Tocantins”.

Para o oftalmologista, Antônio Augusto Velasco Cruz, “o  tracoma, embora praticamente desaparecido na população não indígena, ainda persiste como um problema relevante em alguns povos indígenas. A doença é adquirida principalmente na infância, e pode gerar cicatrizes nas pálpebras que, sem intervenção cirúrgica, evoluem para opacidade da córnea e cegueira. No caso específico da população kraô, a identificação da gravidade é mais complexa devido à prática cultural de epilação dos cílios, por isso os casos mais severos foram regulados para cirurgia”.

 

Tracoma

É uma doença ocular infecciosa causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e considerada a principal causa evitável de cegueira no mundo, acometendo principalmente populações em situação de vulnerabilidade social, com acesso limitado a saneamento básico, água potável e serviços de saúde.

A transmissão ocorre pelo contato direto com secreções oculares e nasais, uso compartilhado de objetos contaminados e presença de vetores mecânicos, como moscas. Sem tratamento adequado, o tracoma evolui para formas mais graves, levando a danos estruturais nos cílios e na córnea.

A triquíase tracomatosa é uma das complicações mais graves do tracoma onde os cílios passam a crescer voltados para dentro do olho provocando dor, lacrimejamento e lesões corneanas. 

 

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