Com o objetivo de informar as mulheres sobre seus direitos na assistência ao parto, a Secretaria de Estado da Saúde, através da Gerência de Média e Alta Complexidade, juntamente com a equipe multiprofissional da unidade do Centro de Saúde da Comunidade (CSC) do Jardim Taquari, promoveram uma série de palestras com a comunidade nesta sexta-feira 7. A programação faz parte da Campanha do dia “D” de Conscientização do Parto Humanizado e Combate a Violência Obstétrica.
“A ideia de promover esta ação no Taquari é devido ao número elevado de notificações de violência obstétrica no território, chamar a atenção da sociedade para o tema promovendo o esclarecimento no maior número de mulheres”, ressaltou Raquel Marques, gerente de Alta e Média Complexidade da SES.
Marta da Silva Sousa Alves, de 34 anos está na sua quarta gestação, e relatou sua experiência de violência obstétrica no parto da primeira filha. “Eu me senti exposta no parto da minha filha há 14 anos, fiquei em uma sala onde entrava e saia gente o tempo todo, sem nenhuma privacidade, e também pelo comportamento da enfermeira que fazia comentários inadequados, me chamando de mole, “na hora de fazer não chorou”, fez eu me senti muito humilhada na época, não só comigo mas com outras mães que estavam na mesma sala. Por isso acho importante esse tipo de esclarecimento, pois muitas mães sofrem calada e não conhecem seus direitos na hora do parto”, relatou.
Dados
De acordo com informações do Ministério da Saúde, uma em cada quatro mulheres brasileiras é vítima de violência no decorrer da gestação, parto e puerpério, abrangendo atos de desrespeito, assédio moral, violência física ou psicológica e negligência. Um exemplo são os dados contidos na cartilha denominada “Diretriz do Parto Normal”, com mais de 200 recomendações sobre métodos não farmacológicos de alívios das dores e técnicas que devem ser usadas apenas em alguns casos e não rotineiramente, como a episiotomia, corte feito na região do períneo, por exemplo. Evidências científicas mostram que a episiotomia tem indicação em cerca de 10% a 15% dos casos e ela é praticada em mais de 90% dos partos hospitalares da América Latina.
Atos de violência
São caracterizadas como violências obstétricas ações como: negar ou impor dificuldades ao atendimento em postos de saúde durante o pré-natal; realizar comentários constrangedores; ter a cesárea agendada sem recomendação baseada em evidências científicas por pura conveniência e interesse médicos; separar bebê saudável da mãe na primeira hora de vida; impedir a presença de um acompanhante durante todo o período de internação; usar métodos farmacológicos sem o consentimento da mãe; exigir jejum; posição ginecológica ou imobilização; dificultar o aleitamento materno na primeira hora de vida; desumanizar o atendimento; questionar a causa do aborto; realizar procedimentos invasivos sem explicação, consentimento ou anestesia, entre outras.
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