Médicos, enfermeiros e cirurgiões dentistas dos municípios com maior prevalência de doença falciforme no Tocantins se reuniram para capacitação nos dias 19 e 20, com técnicos do Ministério da Saúde e da Gerência de Média e Alta complexidade do Tocantins para discussão em torno da linha de cuidado da Doença Falciforme no Estado.
A coordenadora estadual do programa de triagem neonatal, Andreza Correia da Silveira, explicou que o grupo de trabalho instituído através de uma portaria da Secretaria de Estado da Saúde, tem o objetivo construir a linha de cuidado da doença falciforme no Tocantins.
“A doença falciforme gira em torno da atenção integral. O paciente não tem que ser tratado apenas no hemocentro, eles precisam ser acompanhados também nos municípios, incentivando o auto cuidado, alimentação saudável, incentivando o uso de medicamentos da forma correta para que eles tenham menos intercorrências, menos eventos agudos e conseqüentemente menos internações” destacou.
Ainda de acordo com a coordenadora, foi realizado mapeamento e constatado que os municípios de maior prevalência da doença no Estado são: Dianópolis, Peixe, Paranã, Porto Alegre, Paraíso, Araguaína, Porto Nacional, Chapada de Natividade, Brejinho, Tocantinópolis, Monte do Carmo, Palmas e Gurupi.
A responsável pela Política de Atenção Integral à Pessoas com Doença Falciforme do Ministério da Saúde, Maria Cândida Queirós, reiterou que o objetivo dessas visitas é também de fazer com que avance a implantação da política de doença falciforme localmente. “O serviço já funciona e acontece no Estado, mas estamos propondo novas diretrizes de forma organizada, atenção integral envolvida com atenção básica, formação permanente dos profissionais, inclusão da Doença Falciforme nas redes temáticas que estão sendo implantadas e vigilância epidemiológica, por exemplo”.
A Doença
A doença falciforme provoca deformação das hemácias, que assumem forma de foices, causando deficiência do transporte de oxigênio para os tecidos, obstrução de vasos sanguíneos, crises de dor e queda de imunidade, dificultando o portador de realizar atividades do dia a dia. É uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, de elevada mortalidade, principalmente nos primeiros anos de vida, o que exige identificação e tratamento precoces, que apesar de aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida, não possibilitam a cura.
Diagnóstico e tratamento
O SUS oferece os exames necessários para diagnóstico da doença falciforme, é o teste do pezinho. Ele é feito nas Unidades Básicas de Saúde dos municípios e deve ser realizado preferencialmente entre o segundo e o quinto dia de vida da criança. O ambulatório de hematologia do Hospital Geral de Palmas é responsável pela assistência especializada ao paciente com doença falciforme no Tocantins.
O paciente chega para o hemocentro através do serviço de regulação do Estado. Como primeira consulta, passa pelo hematologista e após isso, por toda equipe multiprofissional, composta por pediatra, enfermeiro, nutricionista, assistente social, psicólogo.
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