O outubro é conhecido internacionalmente como “Outubro Laranja”, uma campanha que destaca a importância do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-TO) busca informar a sociedade sobre esse transtorno neurobiológico, que afeta tanto crianças quanto adultos.
O TDAH é caracterizado por sintomas como desatenção, hiperatividade, impulsividade, impaciência, entre outras que podem impactar significativamente a vida diária e o desempenho escolar ou profissional. Muitas vezes, a condição é mal compreendida, levando a estigmas e dificuldades no diagnóstico.
É fundamental que pais, educadores e profissionais de saúde reconheçam os sinais do transtorno e busquem orientação adequada. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos afetados.
A funcionária pública, Eliete Borba de Miranda foi diagnosticada com TDAH há um ano e compartilha algumas dificuldades enfrentadas devido ao transtorno, como memória curta, falta de foco e impulsividade. “Eu não tenho memória, eu tenho muita dificuldade de memorizar, dependendo das coisas, claro. Se eu não achar que é importante, por exemplo, eu já me desligo dela, boto na caixinha do esquecimento, e se está resolvida, já não me importo mais com ela”.
“Quando eu vou fazer uma consulta médica, eu já peço para o doutor me ajudar a focar naquilo, porque se não eu entro num assunto para outro, que não tem nada a ver com aquela consulta. Sempre peço ajuda para que o médico me traga para o foco, porque às vezes eu me perco. Além disso, eu tive muitos prejuízos de relacionamento interpessoal. Eu falava demais, era acelerada demais, e sempre fui muito taxada de tagarela, enfim, eu sofri muita rejeição e isso impactou muito a vida adulta”, conta a funcionária pública sobre outros sintomas do TDAH, como impulsividade e falta de inibição na fala.
Sintomas em Crianças e Adolescentes
Sintomas em Adultos
“Hoje o TDAH é conhecido como um transtorno do neurodesenvolvimento, de acordo com o manual diagnóstico mais aceito no mundo, o DSM-5 revisado. Ele é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade. Esses sintomas necessariamente devem ter início antes dos 12 anos, e causam um sofrimento e uma disfuncionalidade significativa”, explica o psiquiatra Tiago Américo.
Diagnóstico
O diagnóstico de TDAH é feito por um profissional médico especializado (psiquiatra, neuropediatra ou neurologista) através de uma avaliação clínica detalhada, que inclui entrevista com o paciente e familiares, observação do comportamento em diferentes ambientes e aplicação de questionários e escalas (como a Escala de Conners ou ASRS-18).
“O diagnóstico é feito através de critérios, ou seja, diagnóstico clínico. O profissional entrevista o paciente, coleta informações colaterais da família, dos colegas de trabalho, da criança ali na escola, dos professores e dos pais. E, através dessas informações, o diagnóstico é feito. Não é feito através de exames e também não é necessário uma avaliação neuropsicológica. O diagnóstico é criterial, através dos critérios diagnósticos”, complementa o psiquiatra.
Inclusão
Além disso, o Outubro Laranja também é um momento para incentivar o apoio e a inclusão de pessoas com TDAH, promovendo ambientes mais compreensivos e adaptáveis.
A estudante Júlia Borba de Miranda Mattos, filha de Eliete Borba, também foi diagnosticada com TDAH e sofre com a exclusão na escola. “Ela tem muita dificuldade de se relacionar, um sentimento de rejeição acentuada. Existe a exclusão da criança que é diferente no ambiente escolar. Mesmo com acompanhamento psicológico, psicoterapia e medicamentos, ainda assim não é garantia de uma vida sem julgamentos, sem rejeição”, relata a mãe da jovem de 14 anos.
“Aquele indivíduo que desde a infância apresenta sintomas de desatenção, comete erros por descuido, é desorganizado, ou aquela criança que sempre é muito agitada, hiperativa, impulsiva, que não sabe regular as emoções e esses sintomas persistem ao longo da vida, esse indivíduo deve procurar a avaliação médica especializada para avaliar esses sintomas e fazer o diagnóstico diferencial, e dessa forma, tratar da maneira correta”, explica o psiquiatra.
Aceitação
A aceitação de um diagnóstico de TDAH envolve reconhecer os sintomas, buscar um diagnóstico preciso com profissionais de saúde especializados (como psiquiatras e neurologistas), e aceitar a condição como um transtorno do neurodesenvolvimento, buscando estratégias de tratamento e suporte para melhorar a qualidade de vida.
“Eu tenho uma consciência muito assertiva. Eu aceito o diagnóstico e cuido do diagnóstico para que eu não prejudique as pessoas à minha volta, para que ninguém venha a sofrer nenhum tipo de prejuízo. Acredito na importância de um acompanhamento de forma eficiente para que os sintomas sejam reduzidos”, finaliza Eliete.
Saber que o TDAH hoje é conhecido como um transtorno do neurodesenvolvimento, isso de acordo com o manual diagnóstico mais aceito no mundo, o DSM-5 revisado e é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e ou hiperatividade. Esses sintomas necessariamente devem ter início antes dos 12 anos, causar um sofrimento e uma disfuncionalidade importante e também é importante que eles não sejam melhor explicados por outras condições médicas ou psiquiátricas.
Tratamento
Em 2025, as ações do Ministério da Saúde sobre o TDAH no Brasil ainda estão em desenvolvimento, com projetos de lei que visam a inclusão de medicamentos no SUS e a classificação do TDAH como deficiência, e novas regulamentações estaduais para o uso de metilfenidato. O protocolo nacional para TDAH foi aprovado em 2022, com o objetivo de padronizar o atendimento no SUS.
Edição: Aldenes Lima/Governo do Tocantins
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