Médicos discutem melhoria no diagnóstico e manejo de pacientes com doenças vetoriais

por Camilla Negre / Governo do Tocantins
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Atualização para médicos
A Sesau iniciou nesta segunda- feira o Curso de Atualização em Epidemiologia, Diagnóstico e Manejo Clínico em Dengue, Febre Chikungunya e Zika - Foto: Heitor Iglesias / Governo do Tocantins file_download

Visando a melhoria do diagnóstico oportuno e aprimoramento do manejo clínico prestado ao paciente com dengue, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) iniciou nesta segunda-feira, 21, o Curso de Atualização em Epidemiologia, Diagnóstico e Manejo Clínico em Dengue, Febre Chikungunya e Zika. 

De acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses, Mary Ruth Batista Maia, o objetivo é atualizar os profissionais de saúde, especialmente os médicos, quanto às definições dos casos de dengue, chikungunya e zika e orientá-los quanto ao manejo adequado dos pacientes, no intuito de prevenir a ocorrência de formas graves e, consequentemente, reduzir os óbitos por dengue.

“Trabalhamos os protocolos para atendimento aos pacientes. Apesar de não termos casos confirmados de zika e febre chikungunya no Tocantins, queremos nos preparar e discutir os casos que estão ocorrendo nas diferentes regiões do País através de palestras ministradas por médicos pesquisadores. O encontro vai ser rico para entendermos o comportamento dessas doenças”, disse Mary Ruth, completando que a participação dos profissionais de saúde no curso atendeu a expectativa. 
 
O curso voltado para médicos, que atuam na atenção básica e serviços de média e alta complexidade dos hospitais públicos e privados, continua nesta terça-feira, 22, no Sindicato dos Médicos do Estado do Tocantins (Simed), em Palmas, das 8 às 11h45 e das 14 até 17h45, e compreende palestras e estudos de casos ministrados pelos médicos Rivaldo Venâncio, referência do Ministério da Saúde (MS) em dengue, chikungunya e zika, e a médica Melissa Falcão, que vem acompanhando os casos de chikungunya no Estado da Bahia.

Doenças vetoriais
Ministrando palestras temáticas relacionadas às doenças, o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, destacou o crescente número de notificações de zika e febre chikungunya que, até então, não ocorriam no Brasil. Ele disse que essa situação recomenda uma abordagem integral porque do ponto de vista epidemiológico e clínico se tratam de doenças muito parecidas. 

“No caso específico de dengue, a proposta é uma abordagem que permita entender a evolução dos casos. Hoje sabemos que pessoas acima de 65 anos de idade, que tenham diabetes, hipertensão arterial ou doença autoimune, tendem a desenvolver uma forma mais grave da doença. Temos observado que boa parte dos óbitos registrados é decorrente da não identificação em tempo hábil dos sinais dados pelo organismo”, disse. O médico informou ainda que “a doença zika e, em especial, a febre chikungunya chamam a atenção pela incapacidade do paciente. Em muitos casos, o paciente fica até quatro meses doente, boa parte sequer consegue fazer o movimento de levantar o braço, tamanha são as inflamações que ocorrem”. 

Atualização
A médica pediatra Regina Mendes Onofre, que participa do curso, falou sobre a importância dos profissionais estarem atentos para a doença. “A dengue está sempre ocorrendo em nosso meio, por isso a necessidade desta atualização. É muito importante analisar esses estudos de casos que estão sendo trazidos de outras regiões, em uma análise clínica. Devemos sempre pensar em dengue, prevenindo a ocorrência de formas graves”, destacou. 

Doenças no TO
A dengue é uma doença febril aguda, dinâmica e de rápida evolução que tem se espalhado a passos largos pelo mundo. Nos últimos 50 anos, a incidência aumentou 30 vezes, com ampliação da expansão geográfica para novos países e, na presente década, para pequenas cidades e áreas rurais. No Brasil, a transmissão vem ocorrendo de forma continuada desde 1986. O maior surto no Brasil ocorreu em 2013, com aproximadamente 2 milhões de casos notificados. 

O Tocantins segue o mesmo panorama nacional, no ano de 2013 foram notificados mais de 25.000 casos da doença. Com relação ao vetor, dos 139 municípios apenas um não é infestado pelo mosquito Aedes aegypti, o município de São Félix do Tocantins. Porém este tem a presença do Aedes albopictus, potencial transmissor da doença em países africanos e asiáticos. Em 2015, 15.000 casos foram notificados no Estado, o que representa um aumento de 72%, quando comparado com o mesmo período de 2014. 

Chikungunya 
No Brasil, alguns estados têm sofrido com surtos da doença, como por exemplo, o Estado da Bahia, e devido à alta densidade do vetor, à presença de indivíduos suscetíveis e à intensa circulação de pessoas em áreas de transmissão, o risco da expansão da doença é evidente. Até o momento, o Tocantins não possui casos confirmados da doença. Especialistas recomendam que a vigilância precisa ser redobrada.

Zika 
E este cenário se repete quando se fala em zika, uma doença também transmitida pelo mosquito Aedes. Segundo estudos recentes, na ocorrência de co-infecção de zika com dengue ou febre chikungunya, alguns pacientes podem desenvolver a Síndrome de Gillian Barré (SGB), uma doença autoimune em que o sistema imunológico do paciente ataca parte do próprio sistema nervoso por engano, levando à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular.

O médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, informou que a febre chikungunya chama atenção pela incapacidade do paciente - Heitor Iglesias / Governo do Tocantins file_download
De acordo com a diretora da área, Mary Ruth Maia, o objetivo é atualizar os profissionais de saúde, em especial os médicos, quanto às definições dos casos de dengue, chikungunya e zika - Heitor Iglesias / Governo do Tocantins file_download
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