II Seminário de Vigilância em Saúde do Trabalhador aborda os impactos da mineração na saúde

Na programação desse ano os temas abordados tiveram grande repercussão como os acidentes de Trabalho na Samarco em Mariana e Vale em Brumadinho.
por Ellayne Czuryto
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II Seminário de Vigilância em Saúde do Trabalhador aborda os impactos da mineração na saúde
A mineração gera grandes impactos socioeconômicos, ambientais e à saúde humana, principalmente à população local e aos trabalhadores nas etapas do processo produtivo, de logística e comercialização. - Foto: André Araújo file_download

Com o tema a Mineração no Tocantins e no Brasil, a Secretaria de Estado da Saúde realizou no dia 23, o II Seminário de Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT). O encontro tem o objetivo de contribuir para a ampliação do entendimento acerca dos problemas ambientais e de saúde decorrentes da mineração, sobre a atuação da Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador e de proposição de estratégias para reduzir os impactos socioeconômicos e ambientais à saúde humana. O seminário aconteceu no auditório do  Ministério Público do Estado (MPE/TO).

A superintendente de Vigilância em Saúde, Perciliana Bezerra, falou da importância desse seminário para o contexto da vigilância do nosso Estado. “Esse seminário está aqui para a gente discutir proposições que consiga melhorar ainda mais as questões relacionadas à saúde do trabalhador. Como a saúde do trabalhador esta inserida na vigilância, é importante que ela se articule e que haja uma integração interinstitucional, por si só a saúde não consegue resolver os problemas. Nós sabemos que o trabalhador da saúde tem uma tendência maior de adoecimento do que os demais, por conta disso, nós temos os núcleos de saúde do trabalhador implantado em vários setores da secretaria e na rede hospitalar, que propicia essa melhoria de qualidade de vida para esses trabalhadores.”

A palestrante Marta de Freitas, mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, abordou um tema de grande repercussão e atuou diretamente nas áreas atingidas, que foram os acidentes de Trabalho na Samarco, em Mariana e da Vale em Brumadinho. “Meu tema infelizmente é para falar sobre os crimes referentes ao rompimento das barragens da Samarco Vale BHP, e agora mais recente da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que assassinou mais de 300 pessoas. Infelizmente esse risco está ai. Mariana não foi a primeira e Brumadinho não será a última barragem a se romper. A discussão no Tocantins e devido ao pólo da agroindústria mas também da mineração, que é um território rico, já tem algumas minerações e existe hoje, uma possibilidade do Estado se tornar um grande pólo mineral e que não cometa os mesmo erros, como Minas Gerais e Pará”, salientou.  

O seminário contou com a participação do professor, Bruno Milanez, que também atuou em Brumadinho, e é coordenador do Grupo Poemas – Política Economia Mineração Ambiente e Sociedade da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e referência em pesquisas da mineração no Brasil. Ele falou sobre o “Impacto Socioeconômico e Ambiental e Panorama da Mineração no Brasil e Tocantins”. “Minha palestra tem a ver com o atual modelo mineral no Brasil, os aspectos ambientais, econômicos e sociais que ele traz e como isso reflete na saúde do trabalhador, quais são as perspectivas para o Estado do Tocantins, além de discutir um pouco sobre qual o cenário atual e diante dos projetos que estão previstos, qual o envolvimento e os riscos associados a essa expansão no Tocantins se não forem tomadas as medidas adequadas, tanto de controle estatal quanto controle.”

A fonoaudióloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST do Estado, Ana Emilia Pires, participou e falou. “O II Seminário Tocantinense de Vigilância em Saúde do Trabalhador, vem trazer um olhar para os trabalhadores da mineração, porque a mineração é um ambiente de trabalho determinante e condicionante da saúde e do adoecimento. Estamos discutindo a importância de estarmos monitorando esses trabalhadores e promovendo ações de prevenção e de assistência continuada a eles.”

Oficinas

Na quinta-feira, 22 aconteceram duas oficinas no prédio do Anexo 1 da Superintendência de Vigilância em Saúde, com apresentação de experiências bem sucedida de vários municípios. 

A primeira com o tema a “Saúde do Trabalhador na Atenção Primária: na busca da qualificação e da integralidade no cuidado” foi com a representante do Ministério da Saúde, Elem Sampaio. Ela falou dos movimentos que o Ministério da Saúde vem fazendo para articular as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador com as ações que são realizadas no âmbito da Atenção Primária em saúde.

A segunda oficina trouxe o tema “Saúde Mental relacionado ao Trabalho” com a psicóloga do CEREST Amazonas e Professora da Universidade  Federal do  Amazonas facilitadora,  drª  Socorro Moraes Nina. Ela explica que o CEREST não é a porta de entrada da saúde do trabalhador, ele apenas fornece condições para que as unidades básicas de saúde, o Caps possam ter instrumentos de vigilância. “É necessário que o CEREST esteja atento porque ele faz parte da vigilância em saúde do trabalhador, conhecendo teorias, aplicando na realidade, e principalmente intervindo nos locais de trabalho. Hoje nós fizemos uma exposição, pois o Tocantins faz parte dessa região amazônica, e mostramos um parâmetro sobre a realidade do Amazonas e do Tocantins.”

 

O encontro tem o objetivo de contribuir para a ampliação do entendimento acerca dos problemas ambientais e de saúde decorrentes da mineração, sobre a atuação da Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador. - André Araújo file_download
O evento contou com a participação do Professor Bruno Milanez, coordenador do Grupo Poemas – Política Economia Mineração Ambiente e Sociedade da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), referência em pesquisas da mineração no Brasil. - André Araújo file_download
A segunda oficina trouxe o tema “Saúde Mental relacionado ao Trabalho” com a psicóloga do CEREST Amazonas e Professora da Universidade Federal do Amazonas facilitadora, drª Socorro Moraes Nina. - Nielcem Fernandes file_download
Na quinta-feira, 22 aconteceram duas oficinas com apresentação de experiências bem sucedida de vários municípios. - Nielcem Fernandes file_download
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