A Hanseníase tem um passado triste, de discriminação e isolamento dos doentes, que hoje já não existe e nem é necessário, pois pode ser tratada e curada. A doença estigmatizada e que traz marcas do preconceito, principalmente pelo medo do contágio, está sendo discutida na I Conferência Livre Vigilância em Saúde com ênfase em Hanseníase, que acontece nesta quinta, 19 e sexta-feira, 20, em Palmas.
Carlos Alberto Pereira, lavrador morador de Porto Nacional prestigiou a Conferência, que para ele é um marco de novos tempos, discussão e avanços. “Muita gente se afastou de mim, e até hoje sinto isso, mas hoje vejo novos tempos, me sinto representado na Conferência, onde vejo as pessoas preocupadas, envolvidas e na busca por melhorias, diferente de antigamente, onde éramos excluídos”.
A história do lavrador é comovente, ele conta como viveu de perto o preconceito e a tristeza por muitas vezes ter sido excluído da sociedade ou da própria família. “Tenho ainda manchas, e algumas seqüelas, dormência nos dedos, passei mais de dez anos lutando contra a doença, e contra o preconceito que sinto até hoje. Atualmente não posso trabalhar, só cuido dos meus filhos em casa, hoje não tenho mais as doença, graças ao tratamento e a informação”.
Artur Cristódio, vice-coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Mohan) e membro do Conselho Nacional de Saúde, reiterou o papel importante do evento, que é uma etapa temática no processo de organização da 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, que acontece em novembro, em Brasília.
“O Brasil é hoje o líder mundial em incidência de hanseníase, perdemos para a Índia em números notificados. Nesses dois dias vamos gerar propostas para serem levadas para a Conferência Nacional que busca traçar os novos rumos da Política Nacional de Vigilância em Saúde, e a hanseníase será uma das pautas a serem discutidas”, afirmou Artur.
Tocantins
O Tocantins ocupa o primeiro lugar no ranking nacional em coeficiente de detecção geral e em menores de 15 anos em 2016. “Esse é um dado importante, é um dado bom, na medida em que se identificam os novos casos precocemente, as chances de eliminar são maiores. Não adianta ter o menor índice do país, detectando as pessoas com seqüelas da doença. O Tocantins sempre trabalhou muito para detecção da doença, esse é um histórico muito positivo para o estado” disse o vice-coordenador.
Para a assessora da hanseníase da Secretaria de Estado da Saúde, Suen Oliveira dos Santos, “ser o primeiro lugar não significa que temos o maior número de casos e sim que estamos fazendo o nosso papel detectarmos os casos, e avaliarmos os contatos para quebrarmos a cadeia de transmissão”.
Para o secretário Municipal Saúde de Palmas, Nélio Fernandes “não existem doenças negligenciadas existem pessoas negligenciadas. O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser defendido. Que possamos construir na Conferência muitas narrativas e um amplo movimento de eliminação da hanseníase”.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Liliana Fava, destacou que a participação da sociedade na Conferência é importante na construção das políticas públicas. “Não adianta esconder o problema temos que enfrentá-lo com respeito dignidade. É impecável o trabalho que vocês estão fazendo. Palmas é o grande propulsor de novas idéias. A participação das pessoas é primordial, temos que juntos construir as políticas, este é o caminho”.
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Hanseonologia, Marco Andrey Cipriane, afirmou que o grande propósito da conferência é discutir hanseníase com propriedade, “o profissional precisa ser capacitado para colocar a hipótese de que alterações de sensibilidade, câimbras e dores neurais pode ser hanseníase. As manifestações que muitas vezes são dadas como inespecíficas, é o tempo que a doença aumenta sua capacidade de incapacitar, ela deve ser tratada o quanto antes”.
A hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução crônica (muito longa) causada pelo Mycobacterium leprae, microorganismo que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo.
A Hanseníase é transmissível através da respiração. Mas esse contágio tem algumas características especiais: A pessoa, com a doença, sem tratamento e na forma transmissível da doença e um convívio prolongado com esse indivíduo. Tão logo seja iniciado o tratamento a doença deixa de ser transmissível.
Os principais sintomas são Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo. Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade (dormências, diminuição da sensibilidade de ao toque, calor ou dor). O SUS garante todo o tratamento da doença.
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