Mesmo com a luta diária pela promoção da vida e da melhoria dos quadros clínicos dos pacientes atendidos no Hospital Geral de Palmas (HGP), existem casos com prognósticos irreversíveis em que, por mais avançados que sejam os tratamentos, ainda não existe a possibilidade de cura. Implantado em março passado na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do HGP, a Unidade de Cuidados Paliativos é composta por uma equipe multiprofissional e visa garantir o conforto aos pacientes diagnosticados como terminais. Como resultado deste trabalho, foi criado em abril passado o Grupo Cuidado, de apoio aos familiares daqueles pacientes, visando a prevenção e o alívio dos sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais causados pelo adoecimento de um ente querido.
De acordo com a psicóloga Izabela Almeida, desde o início das ações, a filosofia paliativista implementada no Hospital já atendeu 22 pacientes onde os quadros clínicos possuem falhas terapêuticas (falta de resposta à terapia) e que não reagem aos procedimentos adotados visando o restabelecimento da saúde. “A ideia é investir em situações que visem amenizar o sofrimento e diminuam terapias, garantindo o conforto do paciente nos seus momentos finais. Lembrando que nem sempre todos os desfechos do cuidado paliativo vão ter como consequência a morte na unidade. Tivemos quatro casos bem-sucedidos de alta na unidade para que o paciente fosse para casa, para mais próximo da sua família e podesse passar esse período de adoecimento no aconchego do seu lar”, afirmou.
Segundo a psicóloga, paralelo aos cuidados com os pacientes, surgiu a proposta de dialogar com familiares a preparação para a perda e os trabalhos de luto antecipatório. “Trabalhamos sim as questões de perda, de finitude, a possibilidade da morte e do luto. Mas a gente tem que lembrar que nem sempre este desfecho de morte vai ser feito aqui na unidade”, ressaltou.
Procedimentos
Para o médico intensivista do HGP, Luciano Lopes, o cuidado paliativo é uma forma de tratamento que envolve a equipe multidisciplinar (médicos, psicólogos, enfermeiros, odontólogos e fisioterapeutas) que visa proporcionar conforto para o paciente e alívio do sofrimento. O médico ressalta ainda que para o paciente se enquadrar nos cuidados paliativos é preciso levar em conta critérios como o tempo prolongado de internação hospitalar, reagudização (piora de quadros de saúde) recorrentes, falhas terapêuticas no tratamento, doenças crônicas irreversíveis como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), além da questão social, que resulta em situações de desconforto e em quadros de ansiedade em membros da família que acompanham a evolução do paciente.
Luciano Lopes explica que o que difere o paciente comum daquele em cuidados paliativos é que o paciente comum possui quadros clínicos que podem ser reversivos, diferente do paciente em cuidados paliativos, onde já não existe possibilidade de cura. “Como visamos a alta proporcional dos pacientes em cuidados paliativos, nossa equipe mantém toda a atenção e cuidados para que ele tenha alta e possa permanecer com seus familiares nos seus últimos momentos”, afirmou.
Esperança São 14 horas da tarde de uma segunda-feira. A dona-de-casa Raimunda Iracema Teixeira se prepara para visitar sua mãe, internada na UCI do HGP desde março passado, vítima de uma pneumonia e de complicações de um quadro avançado de Alzheimer. Antes de se encontrar com sua genitora, que permanece inconsciente e respira com ajuda de aparelhos, Iracema busca forças para encarar o processo antecipado de luto em uma pequena sala do HGP, onde ela pode conversar sobre seus medos e incertezas com outras pessoas que compartilham do mesmo momento de angústia familiar de ter um ente querido em estado terminal. “Eu moro em Miranorte e fico em Palmas a semana inteira cuidando da minha mãe. No início, era muito difícil porque eu não conseguia dormir, só pensando nela. As pessoas vinham me perguntar como ela estava e eu não sabia responder, só chorava. Hoje, com a ajuda do grupo, consigo falar sobre a saúde da minha mãe. Cada pessoa reage de uma maneira diferente e eu estou tentando melhorar”, afirmou.
Já a dona de casa Luzia Marta Pereira da Silva acompanha a evolução dos quadros clínicos de sua mãe, desde o início do ano internada no HGP, vítima de um AVC hemorrágico. A mãe de Luzia está inserida no grupo de cuidados paliativos da unidade hospitalar. “O que mais me irrita e deixa triste é quando as pessoas, ao invés de deixar uma palavra de conforto, já me falam que a minha mãe vai morrer. Eu sei disso, mas às vezes a falta de sensibilidade das pessoas me deixam mais angustiada. Só vim encontrar conforto no grupo de discussão, onde posso falar dos meus problemas e sempre escutar mensagens de esperança”, concluiu, demonstrando a importância do trabalho realizado pela equipe da Unidade de Cuidados Paliativos do HGP.
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