Continua durante toda essa quinta-feira, 24, a programação do III Fórum Estadual Sobre Violência Sexual, que acontece no Palácio Araguaia e reúne profissionais do Tocantins e de outros estados. Neta manhã, quem for ao evento vai poder conferir debates sobre A Prática de Crimes Sexuais Contra Crianças e Adolescentes, O Papel da Defensoria Pública no Atendimento à Mulher em situação de Violência Sexual e Sexologia Forense.
Na tarde de ontem a forma como são acolhidas as vítimas de violência sexual no Hospital e Maternidade Tia Dedé, de Porto Nacional, Hospital e Maternidade Dona e Hospital Infantil de Palmas foram relatadas. Segundo a psicóloga e coordenadora do Serviço de Atenção Especializada às Pessoas em Situação de Violências (Savis) no Hospital Tia Dedé, Lucia Rossana da Silva Boni, o atendimento na unidade teve uma forma mais direcionada desde a publicação da Portaria 54/2013. “A partir desta portaria conseguimos um espaço específico para os atendimentos, uma equipe multidisciplinar e capacitações específicas para a equipe que lida com este tipo de paciente. Realizamos os acompanhamentos necessários e os encaminhamentos de acordo com cada caso. Se for criança, encaminhamos para o Conselho Tutelar, se for homem para a Delegacia Civil e se for mulher para a Delegacia da Mulher”, informou, acrescentando que em 2016 foram atendidos na unidade 46 novos casos e realizados 79 acompanhamentos.
Lúcia também enfatizou a importância de difundir as informações sobre este tipo de violência a todas as idades, respeitando o tipo de linguagem para cada público. “Sempre procuramos divulgar o nosso trabalho em comunidades, universidades, escolas e entidades. Uma vez fui a uma escola falar sobre violência e tempos depois uma criança foi atendida em nossa unidade e me reconheceu, inclusive disse que a partir das informações que levei, ela foi capaz de denunciar os abusos feitos pelo padrasto”, relatou.
A forma como o atendimento é feito segundo Lúcia faz toda a diferença. “Precisamos ter um olhar especial para a vítima, pois ela não tem culpa de ter sido atacada, independente da forma como está vestida, o local onde estava no momento da agressão e o estilo de vida que leva. Infelizmente ainda há este preconceito, mas nós, enquanto equipe de acolhimento, jamais podemos ver dessa forma”.
A especialista em neuropsicologia e coordenadora do Serviço de Atenção Especializada às Crianças em Situação de Violência – Projeto Recriar (Savi) do Hospital Infantil de Palmas, Rosivânia Lucia Tosta, explicou que o serviço tem pouco mais um de ano, mas tem feito a diferença na vida das crianças e suas famílias. “Fazemos um acolhimento com cuidado, respeito, de forma lúdica para que as crianças possam se sentir melhor e mais à vontade para relatar o caso, e assim podemos tomar as devidas providências. Estas providências vão desde encaminhamentos, medicação e cuidados necessários em casos de negligência, por exemplo”, explicou.
Rosivânia destacou que os acompanhamentos às vítimas não tem prazo para acabar. “Damos alta ao paciente que já mostra estabilidade física e emocional dentro de uma avaliação criteriosa por nossos especialistas, mas há casos em que é preciso o retorno, seja por reincidência ou por algum fator que de alguma forma provoque na vítima uma reação que necessite de é um novo acompanhamento”, disse, acrescentando que os pacientes são atendidos 24 horas por dia e toda a equipe do hospital já foi capacitada para o acolhimento qualificado.
À frente do Serviço de Atenção Especializado às Pessoas em situação de Violências - Projeto Margarida (Savis), no Dona Regina, a assistente social, Zelma Moreira da Penha, relembrou os fóruns realizados nos anos anteriores e a necessidade do serviço ser conhecido pela população. “Para que o serviço dê certo, precisamos que as pessoas que tenham conhecimento do que fazemos e que saibam que podem contar com uma equipe qualificada para ajudar em um momento crítico”.
No Savis do Dona Regina o paciente tem acolhimento especializado, profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis, exames de acordo com o protocolo do serviço, interrupção da gravidez e pré-natal. “Até a recepção do hospital é orientada para fazer a ficha de entrada do paciente sem mais questionamentos para que não haja uma revitimização da pessoa ao ter que relatar o ocorrido diversas vezes”, disse Zelma, acrescentando que qualquer pessoa pode ter acesso ao Savis, 24h por dia.
Ludoteca
Durante o evento, a coordenadora do Savi do Hospital Infantil, Rosivânia Tosta, informou que uma parceria com o Instituto Sabin vai viabilizar a construção de uma casinha na árvore que servirá de ludoteca, um espaço lúdico e terapêutico para as crianças em situação de violência. “A casinha será desmontável para o caso de mudança e será possível com a colaboração de engenheiros e arquitetos, Secretaria de Estado da Saúde, Sabin e empresariado da Capital”, explicou.
“Ficamos felizes em poder ajudar e fazer o diferencial na vida dessas crianças que infelizmente se encontram em uma situação muito triste e precisam de cuidados especiais. Dentro do espaço, que será a primeira casinha da árvore a ser entregue pelo instituto ainda no primeiro trimestre de 2017 haverá brinquedos de assistência psicológica que, para as crianças, é mais um brinquedo, mas para o profissional é uma ferramenta de trabalho”, afirmou a gestora regional do Sabin no Tocantins, Nayara Borba.
Palestras
Nesta quarta também foram proferidas duas palestras. A primeira tratou do acesso das mulheres em situação de violência à rede de cuidado: inter-relação saúde-justiça, e foi proferida pela consultora nacional da Organização Panamericana de Saúde, Cláudia Lemos. A segunda tratou sobre a violência sexual na cultura indígena e foi proferida pela psicóloga da Divisão de Saúde Indígena, Jaqueline Calafate.
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