Fórum discute a garantia da assistência universal, integral e igualitária à gestante

A OMS recomenda que quem faça o pré-natal seja alguém que tenha habilidades, ele pode ser tanto um médico generalista, um especialista ou uma enfermeira treinada.
por Camilla Negre/ Governo do Tocantins
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Secretário da Saúde - Renato Jayme
- Foto: - Foto Nielcem Fernandes - Governo do Tocantins file_download

Os profissionais da saúde que atuam em maternidades do Tocantins e na Atenção Básica dos municípios do Estado participaram nesta quinta-feira 27, do Fórum Perinatal com o tema “Mudanças de Paradigmas na Assistência à Gestante”. O evento promovido pela Secretaria de Estado da Saúde por meio da área técnica de Atenção Especializada foi oportuno para a discussão em torno da assistência à gestante, ao parto e o puerpério no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Na palestra sobre o Pré-Natal baseado em evidências científicas, o obstetra Edson Borges, fez uma reflexão do sentido do pré-natal e falou sobre a necessidade de fazer mudanças no modelo de assistência ao parto, de acordo com ele o Brasil tem um modelo ainda muito centrado no médico e com quantidade de intervenções muito grande. “A mulher grávida é uma pessoa sadia, elas não precisam de intervenções, o grande foco do cuidado do pré-natal é preparar ela pra o parto, orientar, prevenir, estimular hábitos de vida saudável”.

Ainda de acordo com ele, uma questão que pode ser alterada é do profissional que assiste o pré-natal. “A Organização Mundial da Saúde recomenda que quem faça o pré-natal seja alguém que tenha habilidades, ele pode ser tanto um médico generalista, um especialista, mas pode ser também uma enfermeira especialista ou generalista que tenha treinamento adequado. Atualmente no Brasil as enfermeiras obstetras treinadas estão inseridas, isso é um ponto positivo. O profissional precisa saber fazer uma boa avaliação clínica, solicitar exames por exemplo. Um dos principais objetivos do pré-natal é preparar ela pra o parto, que ela tenha uma experiência de gerar uma filha de forma prazerosa, agradável, positiva”.

Benefícios do parto normal

Para o obstetra e diretor técnico do Hospital Materno Infantil Tia Dedé, Ridelson Miranda, a relevância do fórum se dá entre outros aspectos, pelo fato da desmistificação do parto normal.  “É alarmante que hoje boa parte das mulheres não se sente a vontade com a ideia do parto normal por uma construção errônea da realidade que a sociedade mesmo criou. Hoje o parto normal é um parto de exclusão, geralmente é aquela mulher que não teve a oportunidade de ter um plano de saúde, é como se ela não tivesse opção e infelizmente evoluiu pra um parto normal. A sociedade é trabalhada pra optar pela cesariana”.

Ele disse ainda que é a favor do parto consciente, aquele que a mulher é bem informada e escolhe o que é melhor para ela e para o bebê. “Precisamos passar essas informações importantes e verdadeiras com relação aos tipos de parto pra orienta-las a fazer a melhor escolha”.

Para a diretora do Hospital e Maternidade Dona Regina, Débora Petry, a discussão “é imprescindível para toda rede cegonha, a rede precisa dividir dúvidas, conhecimentos e inovações, para o fortalecimento do serviço”.  

O secretário de Estado da Saúde, Renato Jayme, também destacou a relevância do evento e reforçou que “a gestão tem o foco de onde acontece a saúde, que são nos hospitais e municípios, fazemos um trabalho incansável de buscar melhorar essas condições”.

Garantia de direitos

Em sua participação, a Promotora de Justiça, do Ministério Público Estadual, Maria Rosely Pery, disse que o ganho principal dessa discussão é a garantia do direito a redução de risco, das morbidades e o direito assistencial de maneira universal, integral e igualitária. “Sabemos que o SUS tem avançado muito na área da saúde perinatal, mas ainda existem pontos de fragilidade que precisam ser trabalhados e até mesmo o aprimoramento dos processos de trabalho. A cobertura única e simplesmente não garante a mulher tudo que ela tem direito, precisamos de acesso integral, e uma assistência de qualidade, temos muito a construir e a conversar”.  

O Fórum

Criado em setembro de 2016, o Fórum Perinatal que se constitui em um espaço coletivo, plural, gestor interinstitucional onde se firmam acordos éticos do Estado com instituições, conselhos e sociedades civil para a promoção da saúde e qualidade de vida da mulher e criança. É composto por representantes da esfera estadual, municipal e do judiciário.

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