Estado investe na qualificação de profissionais para quebrar ciclo de transmissão da hanseníase

por Juliana Matos/ Governo do Tocantins
-
Isabel Monici
Isabel Monici explica que quanto mais cedo a hanseníase é identificada menores são as chances de sequelas - Foto: Juliana Matos/ Governo do Tocantins file_download

Ciente do cenário endêmico e de transmissão ativa da hanseníase, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) está oferecendo atividades de atualização para profissionais que atuam em serviços de atenção básica, especializada e hospitalar durante uma semana.

No dia 6 de outubro, no auditório do Anexo I da Sesau, em Palmas, participam de capacitação de Atualização sobre Hanseníase médicos do Hospital Geral de Palmas (HGP), Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Araguaína, Ambulatório de Especialidades do Hospital de Augustinópolis, Ambulatório de Especialidades do Hospital Regional de Gurupi, do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Porto Nacional e da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas.

Segundo a técnica da Área Estadual de Assessoramento da Hanseníase, Isabel Monici, a atualização abordará ações sobre novas condutas terapêuticas utilizadas, resistência medicamentosa, recidiva de casos, reações, quimioprofilaxia dos contatos de hanseníase, avaliação neurológica simplificada para o diagnóstico, entre outros assuntos.

Já entre os dias 7 e 9 de outubro, também em Palmas, 44 médicos e enfermeiros da Capital e outros 12 municípios do interior que atuam na atenção primária participam da Capacitação para Atenção Primária na Assistência Integral ao Paciente de Hanseníase, na Escola Tocantinense do SUS Dr. Gismar Gomes. Todos os profissionais inscritos atuam em Unidades de Saúde da Capital e dos municípios de Chapada de Natividade, Natividade, Lajeado, Miracema do Tocantins, Porto Nacional, Sandolândia, Santa Rosa do Tocantins, São Valério da Natividade, Tocantínia, Fortaleza do Tabocão, Rio Sono e Caseara. Também participam profissionais que atuam no Sistema Prisional de Palmas.

A proposta desta capacitação é qualificar os serviços de atenção para captação de casos novos e que os mesmos sejam diagnosticados, tratados e curados, assim como a quebra na cadeia de transmissão da doença.

Ainda segundo Isabel Monici, a capacitação aborda ações voltadas sobre diagnóstico e tratamento da hanseníase, avaliação e monitoramento da função neural, diagnóstico e tratamento das reações, técnicas de prevenção e reabilitação de incapacidade física, vigilância de contatos e organização de serviço de atendimento.

Cenário de transmissão

Considerada uma doença milenar e cujo tratamento só é oferecido pela rede pública de saúde, a hanseníase é contagiosa e transmitida pelo baciloMycobacterium leprae através do contato prolongado com o portador da doença sem tratamento.

Dados recentes do Tocantins evidenciam um coeficiente de detecção geral de 68,07 casos da doença para cada 100 mil habitantes e um coeficiente de detecção em menores de 15 anos de 23,30 casos para cada 100 mil habitantes. Conforme Isabel, ambos os indicadores são considerados hiperendêmicos, segundo os parâmetros do Ministério da Saúde. Isso porque o Estado faz parte de uma região de transmissão ativa do bacilo transmissor. Esses números colocam o Tocantins no segundo lugar no ranking de novos casos notificados.

“Como estamos em uma região onde a doença é endêmica, cada caso novo diagnosticado é de extrema importância, significa que iniciando o tratamento o ciclo de transmissão daquele caso se encerra. Mas o trabalho não acaba aí porque precisamos examinar as pessoas que convivem ou conviveram com aquele paciente, para confirmar se entre eles alguém possui sinais ou sintomas da doença”, explica Isabel, esclarecendo que a transmissão acontece através da exposição prolongada ao portador da doença sem tratamento.

Hanseníase

A hanseníase é uma doença contagiosa e sua transmissão acontece pelas vias aéreas superiores e pelo contato prolongado com a pessoa portadora não tratada. Os primeiros sintomas são: manchas vermelhas ou brancas, com perda ou diminuição de sensibilidade, em qualquer parte do corpo.  A doença afeta a pele e os nervos e podendo causar deformidades físicas se não tratada.

O tratamento é gratuito e pode durar de seis meses a um ano, sendo baseado em medicamentos administrados via oral, encontrados apenas no Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme alerta Isabel Monici, somente após o início do tratamento é interrompida a cadeia de transmissão da doença.

keyboard_arrow_up