Governo do Estado do Tocantins
Akwê: "gente importante, indivíduo". O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins, perto da cidade de Tocantínia, nas reservas indígenas Xerente e Funil. Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê, vive da agricultura tradicional na roça de toco, planta milho, arroz, mandioca e utiliza a lavoura mecanizada em pequena escala. Segundo a Fundação Cultural do Tocantins, a população xerente atual é de aproximadamente 2.325 indivíduos.
Existem alguns relatos orais indígenas que levantam a hipótese de que os akwês teriam, em tempos imemoriais, ocupado áreas próximas ao mar. Entretanto, a historiografia oficial assinala que os primeiros contatos entre os akwês e segmentos não-indígenas remontam ao século XVII, com a chegada de missões jesuítas e colonizadores (bandeiras e entradas) ao centro-oeste brasileiro. Os 250 anos de contato dos xerentes com não-indígenas não afetaram sua identidade étnica. As rápidas e intensas transformações sociais, políticas e econômicas que atingem a região na qual residem têm proporcionado a esse povo, não sem dificuldades, uma participação ativa nos processos decisórios que os envolvem.
Antes, os xerentes exploravam o cerrado, através da caça e da coleta, associadas a uma agricultura complementar de coivara. A amplitude territorial, portanto, foi sempre a condição básica de constituição e reprodução do grupo. As atividades de caça, pesca e coleta, bem como a de agricultura estão intimamente associadas ao conhecimento que os xerentes possuem sobre a natureza, suas potencialidades e limites.
Entretanto, agora, eles têm buscado outras fontes de renda. A confecção e a venda de artesanato - cestaria, bordunas, arcos e flechas e colares, dentre outras peças - são uma das principais atividades desenvolvidas pelo grupo, já que a matéria-prima utilizada (fibras de buriti, sementes de capim-navalha, palhas de coco, capim-dourado) é acessível a toda a população. Atualmente, parte da população xerente obtém recursos financeiros em cargos exercidos junto à Funai (motoristas, ajudantes de postos), ao Estado (professores indígenas, agentes de saúde) ou provenientes da aposentadoria dos mais velhos.