Governo do Estado do Tocantins
Antes de 1500, os Karajás ( povo iny) subiram o rio Araguaia. Eles migraram, entre outros motivos, devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. A migração sazonal levou os Karajás para várias regiões até conquistarem o território onde vivem, nas aldeias da Ilha do Bananal, de Xambioá, Mato Grosso e Pará, às margens do rio Araguaia. No Tocantins, existem três grupos: os Karajás/Xambioás (com população aproximada de 500 pessoas), assim chamados por morarem perto da cidade do mesmo nome. São conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo).
Na Ilha do Bananal, vivem os grupos Karajá (população de 2.329) e Javaé (população de 1.310) em aldeias separadas. São chamados de ibòò marãdu (turma de cima). Na Ilha do Bananal, concentra-se o maior número de aldeias. As que ficam próximas ao rio Javaé levam esse nome. Os Karajás/Xambioás do município de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população que forma o povo Iny. Os Karajás, Javaés e Xambioás falam a mesma língua, possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros como parentes. Embora geograficamente separados, pertencem aos mesmos antepassados.
As atividades políticas são bastante difundidas entre os Karajás, girando em torno de um complexo sistema de alianças, onde se fazem e se desfazem facções, consagram-se lideranças e afastam-se outras. Muitas coisas mudaram neste século, devido à interferência de religiosos e agências governamentais, ministrando interesses e mudando a política na comunidade. No entanto, é forte a tendência do povo em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições.
Os casamentos são monogâmicos e combinados entre os familiares.O povo Iny organiza-se em famílias extensas que incluem, além da família nuclear, genros e netos. São essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio, durante o período da estiagem, passam a maior parte do tempo nas praias, pescando e coletando. Quando chegam as chuvas (novembro a março), dedicam-se às atividades agrícolas.
Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca, a caça e a roça. As mulheres trabalham na confecção do artesanato, na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distantes da aldeia. Cada família tem o seu roçado e cultiva mandioca, banana, cana-de-açúcar, milho, batata-doce, cará e arroz. Durante o verão, dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. Adquirem, através desses, produtos industrializados, como roupas, alimentos, etc.
Os artesanatos são utilizados nos rituais, como enfeites. Servem também como utensílios domésticos, brinquedos para as crianças e para comercialização. O iny é excelente artesão da arte plumária (confecção de haretôs, colares, brincos, braçadeiras e tornozeleiras) , cerâmica (potes, pratos, tigelas e bonecas ornamentais - ritxokò ) e cestaria que serve para transporte e armazanamento de mantimentos.
O povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. Ensinam aos descendentes a importância e a necessidade da transmissão desses conhecimentos que vêm de tempos milenares. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. As figuras míticas dos espíritos protetores (aruanãs) cantam e dançam para todos.
Na preparação das festas, os homens saem para a caça e a pesca, as mulheres arrancam a mandioca, ralam e colocam para secar, coletam frutos e fazem bebidas. São feitos ornamentos e enfeites: cocares, colares, braçadeiras e tornozeleiras. A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas de animais como pássaros, peixes e répteis e as cores utilizadas são preta, retirada do jenipapo, e vermelha, do urucum. Existem, dentro da comunidade, pessoas especiais para fazer a pintura corporal.
O Hetoroky - Festa da Casa Grande - representa a passagem do menino para a fase adulta. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para que ele chame os aruanãs (espíritos). Convidam os inys de toda a região para participar e constroem uma grande casa para os convidados, onde deverá ter comida farta para todos. São realizadas lutas tradicionais, a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. Os aruanãs entram e saem das casas, cantando e dançando, para marcar a passagem do menino e o novo tempo, repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham.
Depois das boas-vindas, começa a luta entre os homens, uma verdadeira prova de força e resistência corporal. A competição entre as aldeias começa à noite, quando os homens se reúnem em torno da “grande tora”. A luta vai até o amanhecer, quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto e a cabeça raspada.