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Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade

A Igreja Matriz do município de Natividade, uma das mais antigas do Tocantins, é datada de 1759. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade.

Natividade, termo referente a nascimento, ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. A igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo, desde o ano 33 da era cristã. Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente e passa a ser comemorada no Ocidente no século VII, quando o papa Sérgio I, de origem oriental, compõe uma ladainha para a festa e introduz a procissão no dia dedicado à santa. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria, celebrada em 8 de dezembro. Nove meses depois, comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. Os devotos acreditam que Maria, como mãe de Jesus, preservada do pecado original, merece ser cultuada.

Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás, em 1735, uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. Foi a primeira a entrar nessa região, em embarcações pelo rio Tocantins, depois nos ombros dos escravos até o pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade, Mãe de Deus. Essa imagem é a mesma, venerada, ainda hoje, na Igreja Matriz.

Com a criação do Estado, a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. Dom Celso Pereira de Almeida, bispo diocesano de Porto Nacional, enviou, em março de 1992, solicitação ao papa João Paulo II expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora, de vê-la consagrada padroeira do Estado.

A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano dom Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim, em Natividade, Nossa Senhora da Natividade padroeira principal do Tocantins.

A festa a Nossa Senhora da Natividade, na igreja Matriz, é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro, dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da Natividade. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. São montadas barracas onde se fazem leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado à santa.

A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. O altar é feito de madeira, com repinturas. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997, possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade, em madeira, com pintura policromada. Tem ainda dois sinos de 1858, uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901.

Conforme relatos de moradores, havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja Matriz, conservados até a década de 1960, onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário, São Gonçalo, São Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor.

A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz. Segundo os moradores uma serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na igreja Matriz. Diz a lenda que enquanto existirem velhas rezadeiras em Natividade, aos sábados rezando o ofício de Nossa Senhora, não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade, do Bonfim e redondezas viverá em segurança.

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