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Apinayé

Os primeiros registros do povo Apinayé, na região onde vive hoje, vêm de 1774. Em 1780, foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os Apinayés que eram conhecidos como grandes guerreiros, os poderosos índios da região Norte.

O avanço da colonização sobre as terras dos Apinayés teve início em 1797, com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário (CIMI), em 1780, 600 índios da tribo Apinayé trabalhavam na agricultura, na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará e outros viviam em torno da cidade. Na contagem seguinte, por volta de 1880, havia 1.362 na aldeia Boa Vista, atual Tocantinópolis.

A população estimada, em 2002, era de 1.425 indivíduos, distribuídos em sete aldeias, numa área demarcada de 141.904 hectares, nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia e Lagoa de São Bento.

O povo Apinayé tradicionalmente planta milho, mandioca, amendoim, feijão, batata doce e inhame e faz a coleta de andu, pequi, buriti, bacaba, bacuri, babaçu, açaí, murici, tucum e palmito que complementam a alimentação.

Os homens pescam, caçam e cortam lenha; as mulheres cozinham, cuidam das crianças, raspam, ralam e prensam a mandioca. Eles coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas.

Atualmente, parte da subsistência da tribo Apinayé vem do artesanato, comercializado nas cidades próximas às aldeias. São trançados variados em palha de babaçu, tucum e buriti para confeccionar cestas, esteiras e cofos. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. Para tingir os artefatos, são utilizados o urucum e o jenipapo. A miçanga também é usada para confeccionar colares, mas conservam os desenhos tradicionais. As peças servem para enfeite e são também utilizadas nas celebrações.

Dentre as comemorações da aldeia Apinayé estão a Festa do Mekapri -, realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente -; o ritual de morte e enterro e o de casamento, onde os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum, jenipapo e lã de pati. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações que cada um deve ter para ter uma vida boa e correta.

As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos, em solo não pedregoso e perto de cursos d'água. Nas proximidades, deve haver mata ciliar para os roçados. Quando, em conseqüência das derrubadas anuais, esta mata se acaba, a aldeia é reconstruída em outro lugar. A disposição da aldeia é inteiramente igual a das tribos krahôs: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo, ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra no centro.

O Apinayé possui atualmente aldeias fixas. As casas são construídas com material que vão da palha de buriti, passando pela taipa, tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializado, o que incentiva a manutenção do povo no mesmo lugar. Exitem ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. A adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) também contribuem para a perenização da aldeia.

Atualmente, algumas aldeias têm forma retangular com um pátio de reuniões central. Mas, na prática, os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayés: como se tivessem a mesma forma das aldeias tradicionais.

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